Fotografia:
Emanações de um tugúrio

Diante de meus olhos corporais e intelectuais, a indiscutível, catástrofe do sudeste asiático.

N/D
5 Fev 2005

Cadáveres às quase centenas de milhar! Um terço destes pertencentes a crianças inocentes! Calamidade, pavor, destruição! O mar, enfurecido sem que se saiba porquê, em poucos minutos mostrou a sua fúria medonha e arrasadora! Paraísos transformados em infernos! Desolação de doer por toda a parte! Consternação e importância perante a sanha da Natureza, vingadora contra o Homem e suas obras desafiadoras!
Perante uma tamanha catástrofe, que, varreu sem piedade nem oposição bens materiais e vidas humanas, grande parte das quais ainda não vividas, o meu espírito, aquilhoado pelos “porquês”, curva-se tímido e derrotado, diante do poder misterioso e invencível dessa entidade incompreensível – chamada Natureza… Quem és tu, ó Natureza, e que poderes possuis ou adquiriste, capazes de reduzir a escombros enlameados e tingidos de sangue humano, tantos e tão grandiosos sonhos do bicho-homem!?

A tua força indomável está apenas concentrada no planeta Terra ou os outros astros, imen-sos em número e grandeza, têm ainda poderes mais aterradores!?

No meio do silêncio sepulcral a tão angustiantes perguntas, o meu espírito – pequenino pirilampo que tão pouco e perto alumia, fica perturbado e impotente e lastimando-se…!

E então que, como arco-íris no meio de procelas, a minha mente tímida, perscrutadora e curiosa insaciável, busca, tacteando, um arquitecto invisível, um ordenador primeiro, uma causa incausada, um motor jamais em ponto-morto, um misterioso. Ente inacessível a que ousa chamar “Deus”…

Nem assim, porém, sinto a paz interior de quem, pulga ter encontrado e possuído a verdade…! À ideia desse Criador, poderoso, bom e até pai, opõe-se-lhe aquela tragédia asiática que, produto da Natureza com autor, ceifou, sem dó nem piedade, tantos milhares e milhares até de criancinhas inocentes, quiçá habituadas a ouvir falar e confiar na providência que ama e protege com solicitude e desvelo a obra que lhe saíra das mãos…!

Confuso, atormentado e cego, corro as cortinas baças do meu tugúrio, recolho ao meu, esconderijo e fico à espera dessa luz benfazeja e inextinguível que me permita voltar a ver melhor ainda que o Platão da caverna…!




Notícias relacionadas


Scroll Up