Fotografia:
Educar – a arte por excelência (23)

Numa versão mais moderada, a Pedagogia da Coacção fundamenta a sua tese na filosofia humana que considera a natureza do homem, não essencialmente má, mas apenas insuficiente para atingir, por si própria, o ideal do Homem, ou seja, a cultura (sabedoria, arte, ciência, filosofia, direito, teologia e religião).

N/D
5 Fev 2005

É, portanto, função primordial da educação completar a natureza proporcionando-lhe esses bens ou qualidades que, por si só, não possui. Refere, ainda, esta Pedagogia que o educando (com os seus instintos e inclinações primárias) oferece resistência à força que ruma na direcção dos valores culturais, so-ciais e transcendentes, sendo, pois, indispensável “obrigá-la” a fazê-lo. Deste modo, a educação é definida como uma luta contra o instinto e as más inclinações, o que implica que ela deve corrigir, refrear e até reprimir as tendências naturais inadequadas ao autêntico aperfeiçoamento do Homem, sobrepondo-lhes modelos de procedimentos desejáveis, a partir de princípios éticos e socioculturais correctos e adequados ao ideal humano. É neste contexto que Gilbert Robin defende que, em vez de se permitir desenvolver na criança as suas tendências naturais, deve-se opor ao seu primeiro não, dado que o papel do educador “não é o de libertar os instintos do Homem, mas sim o de libertar o Homem dos seus instintos”. E acrescenta: “… no desenvolvimento moral normal, os desejos passam pela peneira da consciência, onde, se são reprovados, esta reprime-os”. Portanto, segundo esta Pedagogia, a educação tem que encarnar um empenho constante contrariador da criança nas suas más tendências e “obrigá-la” a ter em conta os direitos dos outros. Supõe, pois, um confronto contínuo com as pretensões da criança até que ela consiga prescindir das suas exigências desordenadas. É neste contexto que J. Morgas observa que este tipo de educação é doloroso, não sendo viável educar sem algumas lágrimas por parte do educando. Assim, este modelo educativo exige que o docente goze de uma autoridade indiscutível para impor e incutir na criança o seu critério pedagógico. Estas formas de Pedagogia da Coacção correctivas têm subjacente a filosofia de que a educação encerra uma certa violência exercida sobre o educando, justificada pelo facto de constituir uma acção de um ser maduro sobre um imaturo, para ajudá-lo a aceder à cultura e à maturidade. A educação “autoritária” é inadequada na medida em que não respeita a personalidade do educando e não o ajuda a realizar o seu próprio desenvolvimento equilibrado e harmonioso.




Notícias relacionadas


Scroll Up