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Votar é participar

A questão até pode parecer de somenos importância, face aos constantes apelos ao voto. Porém, julgo oportuno reflectir sobre um acto tão nobre e com um valor incalculável em termos de vivência democrática.

N/D
4 Fev 2005

Diz-nos a Constituição: «o poder político pertence ao povo e é exercido nos termos da Constituição»; daí o entendimento de que é através do voto que o cidadão exerce esse poder e o transfere para os seus eleitos.

Embora, ao contrário de outros tempos e bem, todos possam exercer um tal direito e dever cívico, julgo ser oportuno lembrar que a responsabilidade dum tal acto implica conhecimento, esclarecimento e opção após entendimento sobre o que está em causa e as soluções apresentadas pelas diversas forças em concorrência.

Não julgo oportuno o voto por “clubite” ou cor política, num momento tão importante como decisivo para o futuro do país.

Urge esclarecer e dar ao povo o conhecimento real sobre o valor do seu voto, esclarecendo primeiro e só depois apelando ao voto. Votar por votar, ou para cumprir um ritual, não parece que contribua para a escolha correcta dos nossos representantes.

Não que o nosso povo não seja capaz de escolher entre os partidos os que em seu entender melhor podem solucionar os problemas do país; mas, a um mês das eleições, parece pouco elucidativo o que tem sido dito e os projectos com promessas não substituem os debates, esclarecimentos e soluções para dar resposta à instabilidade económica e social do país.

Digam-nos o que pretendem fazer diferente do que já fizeram, com os resultados visíveis nos últimos trinta anos…

Façam-nos acreditar nas vossas propostas e viabilidade do seu cumprimento; respondam às questões fundamentais com exemplos e sem utopias ou demagogias do momento; expliquem como sair da crise, como resolver os problemas sociais e como relançar o emprego e a economia! Digam-nos onde vão arranjar meios para fazer face às despesas e como vão solucionar as fugas ao fisco…

Porque a instabilidade social é preocupante, falem dela sem hesitações, apontem soluções, demonstrem-nos vontade e atitude política para enfrentar e solu-cionar questão tão grave quanto melindrosa.

Votar é um dever, mas é o voto esclarecido e não o voto de “clubite” ou de mero exercício eleitoral. É necessário que no futuro todos saibamos qual a utilidade do nosso voto, como contribuir ou não, para o bem-estar e a evolução do país. Votar é também um acto de cumplicidade e responsabilidade pelo futuro do país.

Votar sem estar esclarecido, não parece ter a mesma utilidade, que votar conscientemente, embora a força do voto seja igual. Abster-se ou votar às vezes têm o mesmo efeito, só que os primeiros por vezes seriam úteis e decisivos nos resultados eleitorais.

É tempo de os nossos políticos descerem ao terreno e mostrarem o que pretendem fazer para responder às necessidades dum povo desmotivado e descrente da política e dos políticos. Afinal votar tem sentido quando estamos convictos que o nosso voto é útil, representa a nossa opinião e vontade, perante as ideias, projectos e objectivos propostos.

Votar sim, mas consciente, suponho ser a opção certa. O voto co-responsabiliza o cidadão relativamente ao resultado da sua escolha. Vale a pena pensar antes de votar; chega de dizer “eu não tenho culpa” quando através do voto assumimos e participamos na construção e futuro do país.

Que a campanha seja serena, participativa, esclarecedora e útil, motivando o cidadão para a escolha que entenda certa em 20 de Fevereiro.




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