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Escolas e selecção de Conselho Directivo

Não há tema mais ventilado e que mais tenha humilhado os alemães do que o resultado do inquérito Pisa, relativamente ao ranking e nível das suas escolas e universidades. Sempre entre os primeiros cinco lugares, desceu para uma modesta posição, a partir do meio, ao nível mundial.

N/D
4 Fev 2005

Porquê?
Quais as razões por que as melhores escolas e universidades são todas do Sul da Alemanha, onde dominam os sociais cristãos e democratas, aliás também com as melhores empresas, como Mercedes, Siemens etc.

A resposta é sempre a mesma: deve-se ao alto nível das suas escolas, em parâmetros mais sérios e exigentes, que começam pelo nível de exigência de língua e estudo dos clássicos. Por isso, entre as primeiras dez universidades, ao nível nacional, aparecem três na Baviera e Baden Würtemberg, e, nos estados de maioria socialista, aparece entre as primeiras dez, apenas a Universidade de Bona, em nono lugar.

Podem-se discutir os critérios e parâmetros de avaliação. De qualquer forma, um diploma é essencialmente valorizado, conforme o nível da Universidade, onde foi conseguido. De contrário, não lhe atribuem grande valor, nem é de grande cotação.

Excluimos destes critérios os cursos e diplomas de empresas particulares, que preparam expressamente os seus candidatos, com preparação específica para os seus empregos. Daí resulta um pessoal altamente qualificado, ao nível profissional, muitos dos quais com estágios e complementos de cursos e línguas no estrangeiro em universidades de elite.

Nesta concepção, verifica-se que o desenvolvimento, investigação, nível económico, tecnológico e de bem-estar do país depende, essencial e estruturalmente, da massa cinzenta do seu povo e, especialmente da categoria e nível das suas escolas.

À maneira das universidades americanas e inglesas, ou da Irlanda, tenta-se agora o perfil de três ou quatro universidades de elite no futuro, para uma selecção ainda mais apurada dos alunos.

Empresas há todavia que, perante a invasão de candidatos diplomados, em concurso, depois dos testes orais e escritos, por vezes, dão mais crédito a determinadas actividades e componentes desenvolvidas ao nível social, político, eclesial, ou mesmo de participação em grupos organizados de juventude, animação cultural, mesmo de escutismo etc. do que aos diplomas académicos… Porquê?!…

Uma componente é muito avaliada: a capacidade de trabalhar em grupo e de se solidarizar e integrar num trabalho em equipa. As grandes investigações de hoje são fruto de trabalhos em conjunto, minuciosamente estudados, mesmo ao nível internacional.

Vivendo num país com tantas escolas e proliferação de universidades, estatais e particulares, seria de perguntar onde está o fruto de tanto investimento e investigações em Portugal? Como são ministrados e qual o nível dos seus cursos?

Terão proliferado apenas para responder a uma ambição, tipicamente latino-americana, onde se procura apenas um canudo e, no futuro, um lugar ao sol, trabalhando e produzindo cada vez menos e ganhando cada vez mais? Para empregar alunos filhos de grupos económicos, que, de outra maneira, não teriam emprego e criar “turbo-professores”?

Onde estão então os frutos e resultados de tantas escolas? Será por falta de rendimento e capacidade dos alunos ou por falta de nível dos professores?

Em tempo de eleições, quando alguns se apresentam a fazer análises, diagnósticos e propostas para o ensino, tais questões são essenciais para um povo como nós, que, dadas as dificuldades geográficas e económicas, poderá aproveitar um pouco mais da sua massa cinzenta. Como se promove esta? Em que nível de escolas.

Qual a categoria e nível dos seus professores, mesmo numa perspectiva internacional e inter-cultural?

Para uma tal selecção existe todo um processo, que começa ao nível primário e secundário, com directores especialmente escolhidos, num processo altamente selectivo, normalmente um professor de elite, formado e com capacidade também para a administração.

É um professor que se candidata, entre os melhores, para Director de determinada escola, com curriculum muito especializado e variado, capacidade humana, pedagógica, de formação e diálogo para escolher os seus colaboradores e delegar funções. Nada tem de democrático ou político, nem de eleição directa pelos colegas.

A sua avalição é feita por um conselho especial constituído por vários elementos, mesmo de partidos diferentes e através de provas públicas, ao nível escrito e oral, além de ser obrigatória a apresentação de um projecto para a escola a que se candidata, baseado no meio e fora até dos parâmetros oficiais.

Este trâmite é decisivo para a função a desempenhar ou ocupar como Director ou Presidente do Conselho Directivo.

Como estamos entre nós? Qual o critério que preside à selecção e escolha de um Conselho directivo de Escola?




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