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Casamento homossexual?

A medida fracturante (como alguns da dita esquerda moderna gostam de dizer) de Zapatero, na Espanha, de legalizar o casamento homossexual deixou realmente a sociedade espanhola fracturada e ao rubro.

N/D
3 Fev 2005

Agora, aparece na campanha eleitoral também como fracturante entre o eleitorado, condenada por uns e desejada por outros. Antes de fazer qualquer consideração sobre isso e dado que se trata de uma matéria bastante complexa e polémica, vamos por partes, para ver se nos entendemos melhor.
1. Homossexualidade

Historicamente, a nossa civilização sempre rejeitou a homossexualidade. Mesmo a tolerância e confusão entre amizade e amor homossexual que se diz ter havido na civilização grega não parece ter sido bem assim, na opinião de um helenista com quem, há dias, abordei o assunto.

Quando muito, essa tolerância de que se fala referia-se apenas ao convívio nas academias, mas não na sociedade.

Segundo Ajuriaguerra, a homossexualidade foi mesmo considerada, durante muito tempo, como doença vergonhosa e até, em alguns países, punida por lei, o que deu origem a uma certa segregação dos homossexuais em grupos fechados e na clandestinidade.

Depois, passou a considerar-se uma perversão da natureza; e, mais tarde, essa expressão foi suavizada para “desvio do comportamento sexual”. Nos tempos mais recentes e sobretudo a seguir ao Maio de 68, começou a esboçar-se uma atitude reivindicativa de homossexuais militantes, organizados em associações, que recusam que a homossexualidade seja considerada como perversão ou como comportamento sexual desviante.

Entendem que a expressão desvio sexual é um juízo de valor e uma atitude social de repressão. O objectivo desta contestação é libertar os homossexuais da vergonha em relação ao conjunto da sociedade, libertá-los dos constrangimentos sociais que os impedem de satisfazer os seus desejos.

2. Evolução da sexualidade

A expressão da sexualidade humana vai-se organizando funcionalmente, em termos de representação psicológica e de organização de afectos, de uma forma progressiva até à adolescência.

Sendo assim, em qualquer caso pessoal, só depois de se conhecer esta evolução pessoal é que se pode dizer se há ou não desvio de orientação sexual. A análise de cada caso deve ser sempre prudente e ponderada.

As causas mais frequentemente apontadas para as perturbações da organização e desvios sexuais são:

– factores genéticos
– factores endocrinológicos
– factores sociológicos
– factores relacionais com as figuras parentais.

3. Formas de perversão sexual

Para Hesnard, as formas de perversão sexual podem classificar-se em dois grandes grupos: perversões de fim e perversões de objecto.

Perversões de fim são afectos psicossexuais caracterizados pela procura de um fim erótico anormal, tendo o significado de acto psíquico de substituição do acto sexual normal, isto é, procurando um acto sexual simbólico.

O indivíduo que rejeita o acto sexual normal tende a satisfazer-se pela percepção visual (voyeurismo, se é activo, ou exibicionismo, se é passivo) ou por uma aproximação activa e violenta (sadismo) ou por uma aproximação passiva (masoquismo).

Perversão de objecto são desvios eróticos caracterizados por uma procura erótica exclusiva ou preponderante para outros objectos que não os do parceiro do sexo oposto: homossexualidade, fetiches sexuais, sexo com animais, sexo com cadáver, transexualismo…

4. Evolução da sexualidade

Quando se fala de homossexualidade, é necessário distinguir entre homossexualidade fixa (onde já existe um comportamento definido), homossexualidade móvel (nos casos de comportamento homossexual e também heterossexual) e tendências homossexuais (comportamentos à procura de uma definição pessoal estável, como pode acontecer na adolescência).

Quando se fala em “casamentos homossexuais” trata-se, obviamente, de homossexualidade fixa, de sujeitos que se assumem definidamente como homossexuais.

Referindo-se à homossexualidade adulta, G. W. Henry diz que, dos casos que estudou, cerca de um quinto (1/5) começaram pelos 4 a 5 anos, de modo geral antes dos 9 anos; para os restantes casos essa tendência de comportamento sexual estabeleceu-se entre os 17 os 25 anos.

A homossexualidade feminina apresenta nuances em relação à masculina, mas que não vamos agora referir.

Continua




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