Fotografia:
816. Senhor Presidente da República:

1 A campanha eleitoral já anda na rua. E com que foguetório e aleivosia! Numa clara demonstração de que a língua não tem osso e o peixe nem sempre morre pela boca! Festival de PEIXEIRADA!

N/D
2 Fev 2005

Só que, os seus constantes apelos à convivência democrática e ao estabelecimento de um acordo de regime que leve o país a sair do pântano, caem em saco roto. E o senhor Presidente, afinal, fica a falar para o boneco, pois os políticos andam mais preocupados com o bota-abaixo, a intriga, o confronto verbal!
E da esquerda à direita, passando pelo centro (se é que existe centro), não há candidato que se aproveite. Têm todos a língua mais afiada que certas sogras ou mulheres do soalheiro para quem os males alheios são sempre motivo de galhofa e aprazimento!

E, assim, as coisas da República, senhor Presidente, estão cada vez mais pretas. E extremadas. Seja por falta de cultura ou de vontade política, os nossos candidatos fazem da campanha eleitoral palcos de má-língua e de conversa fiada. À boa maneira de um qualquer vendedor da banha de cobra!

Daqui resulta que a apresentação e discussão de programas governativos para o país mais longe estejam das preocupações dos partidos e dos candidatos que os apoiam. E venham de onde vierem os apelos ao consenso, ao entendimento, eles não lhes entram nos ouvidos, surdos como portas ou duros como rebos!

2. Ora, senhor Presidente, o pior de tudo é que a conquista de uma maioria absoluta por parte do PSD ou do PS está cada vez mais longe (mesmo com o estapafúrdio empurrão de Freitas do Amaral ao PS, que, não sei porquê, anda, politicamente, de cabeça perdida). E, sem ela, não há forma de governar com estabilidade e fazer as reformas estruturais de que o país, urgentemente, precisa.

É que o povo vai às urnas como quem vai ao estádio da bola: sempre a torcer pelo seu clube! E com paixão e rivalidade! Sobretudo, com doses elevadas de bairrismo (partidarite)! E pode o partido A ou B ter governado mal, afundado o país, dar-lhe no pêlo forte e feio, que, mesmo assim, ele (o povo) não escolhe outro, mesmo que tenha apresentado boas propostas de governação. Porque o seu voto é sempre para o seu clube, apesar de jogar mal e até meter golos na própria baliza!

E sempre assim foi e assim será, se continuarmos um povo pouco culto e esclarecido.

BROEIRO! E a sofrer da síndroma de clubite aguda, de que a velha rivalidade BENFICA-SPORTING é a prova provada! Tal como na história ancestral de Caim e Abel ou no estigma de esquerda-direita.

Assim sendo, senhor Presidente, enquanto o povo não se livrar destes espasmos de alma na hora de votar, desta sina de lamúria e lamechice, deste clubismo bacoco, continuamos sem maiorias absolutas no Parlamento e longe, cada vez mais longe, do tal acordo de regime que salve a governação e tire o país da miséria.

Por isso, não gaste mais o seu suculento latim em apelos estéreis e arranje uma forma de obrigar os políticos a entenderem-se no essencial, mesmo que para tal tenha de lhes fazer o que se faz aos putos desobedientes e teimosos: calções abaixo e um par de nalgadas!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




Notícias relacionadas


Scroll Up