Fotografia:
É preciso mudar a política (III)

8 Candidatos sem preparação técnica e sem experiência de vida. É lugar comum ouvir-se dizer que, de modo geral, a maioria dos políticos não demonstra preparação para desempenhar o cargo. São os amigos do partido ou do líder…Talvez isso ajude a entender as cenas de falta de educação nos debates públicos em que se procura compensar a falta de preparação técnica com a falta de educação na linguagem.

N/D
1 Fev 2005

Mas, falar poucos falam, porque a esmagadora maioria nunca disse nada, é inexistente, está a mais no baralho. Custa os olhos da cara aos contribuintes, mas não mostra servir para nada. Um dos intervenientes no citado debate de quarta-feira disse que há muitos deputados que chegam a meio da tarde, fazem dois telefonemas, assinam o ponto e vão-se embora. Entendemos e já sabíamos… É preciso que os candidatos se tenham distinguido pelo seu currículo e pelo seu êxito profissional.
São duas condições de base. E também pela sua honestidade e coerência pessoal. Se vêm para a política para arranjar a sua vidinha, então não venham. E se vêm, a culpa é dos partidos que os convidaram. Se nem pela sua vida são capazes de olhar, como é que vão agora olhar pela vida dos outros? Também não venham dizer, depois de entrar, que estão a ganhar mal. Já sabiam o que iam ganhar.

Se não estão bem, mudem-se. O povo não pode ser o bolso sem fundo com que tudo se paga, ele que tantos sacrifícios já faz. Não podem entrar para cargos políticos e depois de lá estarem, com a faca e o queijo na mão, aumentarem-se pomposamente a si próprios, criarem cargos de empresas públicas para duplicar ou triplicar os vencimentos, como parece que virou moda, terem motoristas e carros e mordomias arábicas e secretárias e assessores e cartões de crédito e subsídios de custos de representação e sei lá que mais…

9. É preciso acabar com os carreiristas de cargos políticos. E também com os que se perpetuam indefinidamente nos cargos políticos, como se fosse coutada sua. É preciso modificar a lei dos partidos, que tomaram conta do acesso exclusivo ao poder público.

Se o povo é o sujeito do poder, deixemos o povo unir-se e decidir. Os partidos não podem ser mais do que meros grupos de cidadãos. Tal como está hoje, só os partidos têm acesso ao poder. Porquê? Claro que vai ser difícil mudar isto, porque a corporação dos partidos que está instalada no poder não vai querer perder os seus privilégios.

Mas é preciso e urgente mudar as coisas. Os partidos funcionam como os donos únicos dos caminhos do poder, que ignoram o povo e apenas se lhe dirigem nas épocas de eleições para sancionar a sua ocupação do poder. Se perguntarem ao povo se os partidos o representam, ele dirá que os partidos se representam a si mesmos.

É preciso que sejam os melhores a desempenhar os cargos de poder. E não é necessariamente nos partidos que hoje estão os melhores. Basta ter olhos para ver. E não esqueçamos que são os próprios partidos que, sublimando o princípio de Peeter, funcionam como produtores de carreirismo político.

10. É preciso acabar com os arrivistas e paraquedistas políticos. Outra face da decadência dos partidos políticos é que são eles os responsáveis por esse espectáculo degradante para a democracia representativa que é o fenómeno dos arrivistas (que saltam de partido em partido à procura de tacho) e dos paraquedistas políticos (colocados pelos partidos nos locais onde lhes convém, muitas vezes apenas como fachada, sem serem de lá, sem terem a confiança do povo nem conhecerem as gentes nem os seus problemas).

A responsabilidade disto é toda e exclusiva dos partidos. Os partidos sentem-se donos do território, sentem-se donos do país e colocam as suas pedras no tabuleiro do país à sua vontade. Já perderam a vergonha perante o povo, que dizem representar. Houve alguém que, no debate de quarta-feira, afirmou, para tentar justificar a sua prática partidária, que não é preciso ser dessa terra para ter uma relação de proximidade nem conhecimento dos problemas. Qualquer um serve. Preferimos nem comentar isso… É a degradação da representatividade política.

Os deputados são meros funcionários dos partidos e não representam ninguém a não ser a si próprios e ao partido que os nomeou. O povo devia pura e simplesmente rejeitá-los, ignorando-os e recusando-se a votar neles. Basta de os partidos se assumirem como donos do povo e do país e da política.

É preciso criar outros mecanismos que respeitem e dignifiquem a democracia representativa, o poder delegado do povo. Que respeitem o povo, mas que não lhe usurpem, na prática, o poder que lhe pertence. Como na administração de um condomínio, o povo é que deve escolher quem o representa, alguém com provas dadas no seu currículo, na sua profissão e sua vida e que seja merecedor da sua confiança para tratar dos negócios comuns.




Notícias relacionadas


Scroll Up