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Acrobacias políticas ou confusão nos votantes?

Na conta corrente da nossa política à portuguesa vemos surgir fenómenos a roçar o terceiro-mundismo mais primário: gradas figuras vão percorrendo os mais diferentes sectores do espectro partidário, certos métodos de cativar (o voto, o interesse e afins) que levam antes a desacreditar quem diz, faz ou insinua, ideias tão peregrinas que ficamos confusos… e depois não se admirem de serem rotulados de “todos iguais”, “carreiristas”, “incompetentes”…

N/D
31 Jan 2005

Vejamos alguns exemplos mais ou menos elucidativos de acrobacias e confusões:
* Freitas do Amaral tem sido dos melhores a questionar-nos em qual dos papéis deve ser levado (mais) a sério: o primeiro – fundador do CDS; os outros – vice-Primeiro-ministro da AD com Sá Carneiro, candidato à Presidência da República pela direita e presidente da Assembleia geral da ONU; ou o mais recente – “opinion maker” da esquerda (pseudo) intelectual, fazendo campanha em favor do PS?

Com tantas cambalhotas ainda iremos a tempo de o ver integrar alguma candidatura da esquerda ou nalguma lista mais radical?

* Alguns dos auto-apelidados de “pais da democraci” clamam da crise de regime em que estamos a entrar – talvez já devêssemos estar noutra etapa – entre eles encontramos Jorge Miranda (ilustre constitucionalista) que nos tem alertado repetidamente, numa atitude quase dramática.

Nesta cruzada pelo mais genuíno da Constituição percebe-se alguma incomodidade dos actuais intervenientes, parecendo mais que nos querem vencer pela sonolência e desinteresse, aureolando os mais cinzentos e cataventos de oportunidade.

* No sector do patronato – infelizmente não temos em Portugal um escol de empresários! – surgem vozes a aproveitar a influência daqueles que os podem proteger na alternância de governo. Certas posições não parecem totalmente isentas, mesmo que se note alguma veracidade na contestação!

* O lóbi autárquico tem funcionado com reivindicações, com inúmeros tentáculos… candidatos fantasma (só para aparecem na lista), situações dúbias, posições de neo-caciquismo onde o emprego ainda vale votos e influência social.

* Certos espectáculos estão programados à medida da comunicação social, patenteando um casting previamente definido: um leilão do BE, iniciativas de agressão com direito a autógrafos e sorrisos cúmplices à saída do hospital, gafes bem exploradas, piropos e insinuações, debates adiados… rumo à pretensa vitória final… com maioria absoluta!

Será que o povo não entende este código e trejeitos? Até onde irá a feira de vaidades? Querem enterrar, de verdade, a (dita) democracia? Porque fogem os mais válidos das lides partidárias? A quem interessa promover tantos afilhados?

E os cristãos/católicos – com a hierarquia incluída – e outros rotulados de crentes (?) parecem estar alheios da vida política! É preciso dizer: basta, estou presente.




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