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É preciso mudar a política (I)

1É preciso mudar a política. Só quem esteja instalado no sistema ou sofra de miopia ideológica é que pode pensar o contrário.

N/D
30 Jan 2005

O debate na RTP, na Quarta-feira, foi um passo importante para ajudar a consciencializar esta necessidade, apesar de haver quem prefira que tudo fique como está. A política perdeu credibilidade não só aos olhos dos mais novos e do povo em geral.
Nunca o povo esteve tão afastado e desinteressado da política. Há tanta coisa que é preciso mudar ou aperfeiçoar… Por exemplo, é preciso acabar com o espectáculo surrealista das promessas eleitorais, de andar a oferecer isto e aquilo ao povo em troca do seu voto.

Mas quem é que pode oferecer? Quem é que é o dono e sujeito do poder? É o povo ou o seu mandatário? Há uma inversão de papéis no paradigma da política de hoje: o povo é que tem poder para mandar fazer isto ou aquilo ao seu mandatário e não o contrário.

O povo apenas lhe conferiu um mandato de administração concreto para executar acções de bem comum, apenas delegou nele um poder temporário e concreto. Mas continua com poder de o despedir por incompetência ou incumprimento. Pelo menos, devia continuar.

O detentor de um cargo político deve ser considerado como administrador de um condomínio: é aos donos do condomínio, que é o povo, que compete decidir o que querem fazer e como querem fazer e pagam ao administrador para executar a sua vontade. Ora, o que se tem passado é a inversão disso.

Os administradores do bem comum passaram a mandar no povo, em vez de estarem ao serviço do povo. Não pode ser.

2. É preciso acabar com despesas sem sentido. O povo precisa de saber que dinheiros se gastam e como gastam, por exemplo, nas autarquias, que se tornaram os novos senhores feudais contra o poder central. As pessoas esqueceram-se da História…

Outro exemplo: que sentido faz uma autarquia ter uma polícia própria? Para quê essa despesa? Ele são enormes frotas automóveis, revistas e mais revistas de auto-publicidade, onde em cada página aparece a cara do presidente em inaugurações, serviços que não se percebe para que servem nem como justificá-los…

São regras e mais regras administrativas que espartilham a vida do povo. São impostos por tudo quanto é coisa, por ter cão e por não ter cão. São impostos de estacionamento, esse abuso de poder de cobrar ao povo uma taxa por estacionar o seu carro na rua que também lhe pertence.

Hoje em dia, uma cidade ou vila (e até freguesias…) parecem uma fila de caixas de cobrar impostos… Por este caminho, onde iremos parar, porque a voracidade de dinheiro é insaciável…

É preciso também haver rigor e honestidade nas coisas públicas. Por exemplo, alguém tem dado ouvidos ao que diz sobre isso o Dr. Medina Carreira?

3. É preciso cortar na despesa pública. A começar por cima, pelo número de deputados e suas despesas inerentes. Há dias, comentava-se numa rádio que Portugal tem metade dos deputados da França, sendo que o nosso território é apenas uma nesga do território francês.

Então, tantos deputados para quê? Alguém será capaz de justificar a sua existência, com os salários e benesses que custam? Que faz a esmagadora maioria deles? Que benefícios traz ao povo (e até ao regime democrático) a existência de tantos deputados? Tomando por modelo proporcional a França, é urgente reduzir drasticamente o número de deputados.

Mas não só a nível nacional, também nível de autarquias (Câmaras municipais e Juntas de Freguesia). É urgente cortar as despesas inúteis. Que dizem sobre isto os partidos? Se a despesa pública é incomportável, porque não se revê? Agora, pegou moda vender bens imobiliários públicos para pagar o excesso de despesa pública.

Se nada se alterar, todos os anos têm de se vender, porque há um desequilíbrio estrutural de contas, de receita-despesa. Gasta-se mais do que se ganha. Mas, em vez de uma análise séria às contas e às despesas, continua-se a gastar e a fazer acusações uns aos outros. A culpa é sempre dos outros.

O país não pode continuar assim a delapidar o património que é de todo o povo só porque as regras da administração são inadequadas ou os administradores são incompetentes. É hora de mudar as regras do jogo.

(Continua)




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