Fotografia:
Varrer a testeira

Um casal de Vila Nova de Gaia dedica-se a adaptar brinquedos que podem ser manuseados e explorados por todos, independentemente das suas limitações.

N/D
29 Jan 2005

A experiência de Carla e Pedro Faria – conta a Lusa – começou quando verificaram que não havia brinquedos adaptados a crianças com dificuldades motoras, tal e qual o seu filho Diogo, de 13 anos, portador de paralisia cerebral.
Registada a lacuna, puseram mãos à obra, fazendo nascer bonecos accionados por toque, carros telecomandados com ou sem fio, bonecos que andam ou saltam e brinquedos que fazem barulhos ou tocam música, com a colocação de um sensor.

Mercê da sua intervenção, uma criança com problemas motores consegue, através da activação do sensor, accionar o brinquedo com um movimento da cabeça ou do pé, por exemplo.

Em dois anos, estes pais solidários já transformaram – conta ainda a Lusa – cerca de 100 brinquedos, que passaram a estar ao alcance das brincadeiras de outras tantas crianças.

Eis um bom exemplo, dado por quem, detectado um problema, não ficou a questionar A ou B, reivindicando-lhes uma solução; o que é assinalável, num país onde quase todos esperam que os outros façam alguma coisa, sentindo-se eles mesmos dispensados de mexer tudo o que seja mais pesado que uma palha…

«Cada um deve varrer a sua testeira» – determinava-se na minha terra, há anos, quando a localidade ia entrar em festa e a lavoura deixava os caminhos sujos de palha, mato e sinais da passagem dos rebanhos.

Realmente, sem serviços municipalizados que fizessem a limpeza, cada morador cuidava do pedaço de caminho nos limites da sua casa. E da soma destas testeiras limpas, resultava, no final, o ar desanuviado dos caminhos da aldeia.

Ai como este país seria diferente, se cada um voltasse a varrer a sua testeira!…




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