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O mundo anda mesmo às avessas

Não roubou nada: passou o tempo a mudar as etiquetas dos preços dos diferentes artigos

N/D
29 Jan 2005

Conta o filósofo Kierkegaard que um dia um homem, pela calada da noite, assaltou um estabelecimento. Coisa curiosa porém, não roubou nada: passou o tempo a mudar as etiquetas dos preços dos diferentes artigos.
No dia seguinte de manhã quando os empregados entraram ficaram estupefactos: vestidos de bom corte e bom tecido marcados por 25 euros, enquanto outros de tecido barato ostentavam etiquetas de algumas centenas de euros.

Jóias de ouro com preciosas pedras marcadas por poucas centenas de euros, enquanto que colares, pulseiras e anéis de latão, custavam centenas de milhares de euros.

Quer dizer, estava tudo baralhado e ainda mais baralhados estavam os funcionários.
E o nosso mundo, não terá também sido visitado por algum «excêntrico»?

Nas famílias quem manda são os filhos, ou porque os pais se demitem ou porque exercendo “chantagem” ameaçam: «se não me dão o que lhes peço, saio de casa…»

No país é o que vemos todos os dias: o Governo faz uma lei que como tudo que é lei, se agrada a “gregos não agrada a troianos”. Então aqueles a quem não agrada cortam estradas, ameaçam (e cumprem) com greves.

O Governo, sempre dialogante, recua, dá o dito por não dito, adia a entrada em vigor, e voltamos a uma paz social podre.

As crianças eram o alvo de todas os cuidados; actualmente, se têm bom nível económico passam o tempo entre o infantário e a cama de dormir, mal vendo os pais, sempre ocupados em ganhar mais para dar mais coisas julgando que suprem o dar-se.

Se as crianças são de gente que vive abaixo dos níveis de pobreza, só lhes dedicam atenções, salvo algumas excepções, se lá estiverem as câmaras da TV e os nomes venham depois nos jornais.

Quem os ouve só falam nos “Direitos das Crianças”, quando actualmente, nem os deixam ser crianças: os afortunados exigindo que os meninos após o tempo de Escola tenham actividades extra, como hipismo, natação, aprendizagem de línguas estrangeiras, patinagem, golfe, etc.; os carenciados vão trabalhar ou “arrumar carros”, na melhor e mais optimista das hipóteses…

Antigamente uma “gralha” num ponto de exame era notícia escandalosa; agora os responsáveis embandeiraram em arco quando “quase” não há gralhas.

Antigamente um comportamento aberrante de alguém era guardado com respeito, compreensão e carinho pelos familiares, amigos ou simples conhecidos; actualmente o mesmo é publicitado, “orgulhosamente” assumido, como se valorizasse a pessoa – é uma afirmação de verdade, sem hipocrisia, dizem; eu chamo-lhe falta de pudor e de bom senso.

No mundo do crime é o que vemos: um polícia fere um ladrão, apanhado em flagrante e em fuga e quem é julgado é o polícia… (Eu não ignoro que também há nalguns casos abuso de autoridade, mas não estranho – é o reverso de terem tentado abolir a autoridade, num passado não muito longínquo, com o epíteto de que era fascista).

E quem vai pôr as etiquetas outra vez nos lugares certos? Pois temos de ser nós e quanto antes para não passarmos o século XXI às avessas. E quanto mais cedo melhor.




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