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Forjando novas trincheiras

Saibamos interpretar no presente os desafios em curso, discernindo as causas, combatendo as consequências e debelando as estratégias mais adequadas

N/D
29 Jan 2005

Referir que Portugal está em crise é já muleta de linguagem, estribilho recorrente e refrão a soar a oco.
Os ‘opinion makers’, os senadores – nova figura de regedores nacionais! – e muitos (ditos) pensadores, literatos e vendedores de frases feitas… alinha(ra)m o diapasão do ‘quanto pior melhor’, pois desta tortulhocracia – crêem os mais incautos – nascerá um mundo diferente!

Diante de certos episódios, declarações e momentos do nosso colectivo à portuguesa como que podemos perceber a criação – clara, pérfida ou titubeante – de novas trincheiras:

* Quando vemos aquele ar charlatão de Francisco Louçã de que sabe o que é a vida porque até tem uma filha, questionamos: quantas vidas terá matado com a sua sanha pró-aborto?

* Quando ouvimos a acusação de Mário Soares do poder autárquico como o culpado de todo o mal (corrupção) do país, perguntamos: fala com conhecimento de causa (o dito filho foi autarca!) ou com algum ressentimento mal digerido e pundonor agravado?

* Quando vemos surgir um neo-sebastianismo para o campo do emprego (150 mil novos postos em quatro anos!) ou para a redução dos funcionários públicos (menos 75 mil por ano), inquirimos: haverá autenticidade ou manobra?

* Quando ouvimos promessas/críticas de quem devia ter feito – dado que ocupou os lugares do poder! – melhor quando lá esteve, perguntamos: porque foi feito isso há mais tempo?

* Quando em meados do Verão um ministro alertava para o perigo de seca e de restrições ao consumo de água no Algarve foi chamado de alarmista, e agora, com a situação declarada e sem chuva há mais de três meses, questionamos: a quem interessava a meia verdade?

* Quando vemos muitos responsáveis (sociais, culturais, judiciais, eclesiais…) encolherem-se pelo silêncio – cúmplice, cobarde ou negligente – na hora de assumir a responsabilidade dos seus actos ou omissões, perguntamos: será medo ou oportunismo?

* Quando ouvimos ou vemos certos programas – veja-se ‘o eixo do mal’ da sic-notícias, qual ‘cabaré da coxa’ da informação! – ou intérpretes de entretenimento a mofarem com a inteligência dos ouvintes/telespectadores (mesmo que apaniguados) e ridicularizando os antagonistas, questionamos: quem protege quem e a que preço?

Portugal está, de facto, a construir novas trincheiras de onde surgirão inimigos das próprias fileiras numa incidência larvar de razoável duração.

Tal como na transição do século dezanove para o século vinte houve idêntica tendência mórbida de derrotismo, assim saibamos interpretar no presente os desafios em curso, discernindo as causas, combatendo as consequências e debelando as estratégias mais adequadas.

Os vindouros agradecem…




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