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Educação autoritária/educação com autoridade

A educação coexiste sempre copulada à ideia de autoridade: ou se educa pela autoridade e para a autoridade (abusando dela) ou se exerce a educação “com autoridade”, isto é, utilizando-a de modo conveniente e equilibrado.

N/D
28 Jan 2005

A educação “tradicional” surge-nos conectada, em muitas situações, com a filosofia da autoridade excessiva, rígida, intransigente e até repressiva. Ela manifesta-se pelo seu cariz elitista, impositivo, magistrocentrista e sancionista, inculcando nos educandos uma postura passiva e submissa.

Este modelo educativo de prática pedagógica origina, em muitos casos, sentimentos de aversão, de temor, de animosidade e de frustração.

A educação “autoritária” não tem sido apanágio apenas de indivíduos egocêntricos ou desequilibrados, mas tem impregnado todo o estilo social secular que vigorou (e ainda vigora) em muitos sistemas políticos governativos e em instituições de índole congénere.

Estamos perante o tipo de educação que se baseia no controlo do educando, ao qual se concedem somente as oportunidades que o opressor quer, pretendendo converter as pessoas em seres ao seu serviço.

A sociedade é, segundo estes modelos, o bem supremo, enquanto a liberdade individual se lhes subordina.

Este sistema educativo monolítico, monopolista, unilateral e de sentido único é característico dos regimes totalitários, mesmo de natureza confessional fundamentalista.

Tais sistemas político-educativos prepotentes foram cedendo lugar a outras formas de autoritarismo mais atenuadas e menos persecutórias, devido à evolução verificada nas sociedades ao longo dos últimos séculos, tanto no aspecto político, como no sócio-cultural.

Desta feita, surgem as pedagogias menos rígidas, menos intransigentes e mais moderadas que se esforçam por ditar as suas teses balizadas no estudo da própria natureza humana.

É o caso da Pedagogia da Coacção que, partindo do pressuposto de que o Homem é, por si só, impotente para avançar rumo à perfeição que lhe é conveniente, defende que é necessário incentivá-lo, activá-lo e dirigi-lo por alguém do exterior, para que consiga atingi-la ou, pelo menos, persegui-la, o mais possível, mesmo que tal exercício seja penoso.

Esta Pedagogia alicerça as suas propostas na filosofia antinaturalista que sustenta a tese de que a natureza humana é radicalmente má e que, por consequência, não sabe, nem é capaz de, espontaneamente, orientar-se para o aperfeiçoamento do indivíduo, de modo que a educação tem que assumir esta função de corrigir as tendências naturais.




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