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Na terra de Mao Tse-Tung

O sr. Presidente da República foi à China, o colosso asiático com uma população de 1,3 biliões de habitantes e com uma superfície de mais de 9 milhões de quilómetros quadrados.

N/D
27 Jan 2005

Para termos uma noção do tamanho da China: a sua população é 130 vezes maior do que a nossa e cerca de 90 vezes maior em território.
O sr. Presidente da República levou na sua comitiva cerca de 100 empresários portugueses, com a intenção, pensamos todos, destes encontrarem mercados para a colocação dos seus produtos. Os proveitos justificaram os gastos havidos na deslocação e alojamento?

Fizeram-se bons negócios? As nossas contas comerciais com este país podem vir a incrementar-se ou mesmo a equilibrar-se? Que produtos vão ser exportados? Que protocolos foram estabelecidos entre Portugal e a China?

Estas e quejandas perguntas esperam por uma resposta do sr. Presidente da República. Pelo menos os portugueses merecem que se lhes dirija uma comunicação elucidativa dos resultados desta viagem, principalmente agora que os sindicatos têxteis disseram que Sua Excelência prestou um mau serviço ao sector e depois de ter corrido a notícia de que algumas empresas portuguesas poderiam transferir a sua produção para a China.

Algumas já desmentiram essa possibilidade, mas há quem desconfie de que tudo poderá ser uma questão de tempo. As empresas como boas gestoras que são, têm os seus tempos de maturação. Não parem antes do tempo.

Uma coisa que os nossos industriais ficaram a saber, se é que ainda não sabiam, é que a mão de obra chinesa é barata – o salário mensal médio rondam os 30 euros – , é qualificada por uma educação diferenciada pelo mérito, está apetrechada técnica e tecnologicamente, o que faz com que os produtos saiam mais baratos do que os nossos. Já aqui o dissemos, a invasão chinesa é uma realidade.

Podemos facilmente calcular a que preço de fabrico ficam os artigos deles que aqui são vendidos a preços irrisórios. Perante esta realidade, se fôssemos empresário, era na China onde investiríamos porque os lucros seriam mais certos e mais avultados.

Perante este quadro laboral, a pergunta que fica no ar, e que só o sr. Presidente da República pode e deve responder, é esta: que foi Sua Excelência lá fazer? Julgamo-nos no direito de cidadania de esperar por uma explicação.

O Presidente da República não responde directamente perante o povo, mas deve informá-lo, por dever do cargo, dos actos que suscitem dúvidas e projectem sombras de honorabilidade de desempenho.

Não queremos descrer das intenções do sr. Presidente da República, mas como é vulgar dizer-se, “não basta à mulher de César ser séria, tem que o parecer”.




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