Fotografia:
História de músicos

Entendo que a incidência da mediocridade, com consequências tremendamente nefastas, se verifica, sobretudo, naqueles governantes que, na cegueira que os domina, enveredam pelo caminho da guerra, sem esgotar todos os meios civilizados,para garantir a paz

N/D
26 Jan 2005

Relendo escritos anteriores, deparei com um apontamento do tempo da exibição do filme “Amadeus” projectado na maior parte das salas de cinema do país e que foi um grande sucesso de bilheteira, não só por causa da música do célebre compositor e maestro Mozart, mas também por causa do argumento do filme.

Continha ele excertos da obra do genial músico e cenas duma vida agitada e controversa.

Uma das mais salientes é a que se situa no palácio do imperador austríaco, para onde foi trabalhar como músico da corte, e que o opõe a outro músico, de inferior craveira, António Salieri, que lhe fez a vida negra, como se costuma dizer.

Aplica-se aqui o ditado “O bom é inimigo do óptimo”. Depois de verificar que tinha destruído a vida de Mozart ou, pelo menos, contribuído muito para o seu desgaste, Salieri dirigiu-lhe estas irónicas palavras: “Os medíocres é que vencerão”.

Contêm as mesmas bastante realismo nos jogos da vida que se desenvolvem em qualquer ramo da actividade. Quantas vezes não são os mais aptos e capazes que vencem e ocupam os lugares cimeiros, mas aqueles que movem influências e enchem a carreira de estrépito e fogo fátuo! Sempre assim foi, é e será.

Creio que um dos planos em que se verifica com muita incidência é o da política. Nem sempre somos governados por homens inteligentes, hábeis e prudentes, mas por arrivistas que procuram, acima de tudo, defender os seus interesses e dos seus comensais e amigos.

Mas a vida do imortal compositor não se ficou pelo desgaste físico e psicológico com que se defrontou no lapso de tempo palaciano. Outra cena chocante acontecera antes na casa do arcebispo de Salzburgo, para onde fora trabalhar como artista.

O prelado não compreendeu o seu valor artístico, próprio de «um dos maiores génios da história da música» e remeteu-o para a condição de criado do paço juntamente com outros criados, com os quais comia.

O carácter impiedoso do bispo chegou, mais tarde, ao ponto de ordenar ao mordomo que o corresse a pontapés. Não admira que este homem tão maltratado tenha falecido aos 35 anos de idade, depois de deixar, como repositório, uma obra imorredoura!

A última peça que compôs foi a Missa de Requiem, talvez a pensar no próprio funeral.
A respeito do tema que se salienta neste breve texto – a mediocridade -, entendo que a sua incidência, com consequências tremendamente nefastas, se verifica, sobretudo, naqueles governantes que, na cegueira que os domina, enveredam pelo caminho da guerra, sem esgotar todos os meios civilizados, para garantir a paz.

É sobretudo na capacidade de diálogo que se manifesta a sabedoria daqueles que realizam a paz e fraternidade e evitam a confrontação armada.

Amadeus Mozart foi alguém que criou beleza e tornou este mundo mais jovial e entusiasta. A sua música permite prelibar um pouco os acordes suaves e beatíficos da pátria celeste.

A respeito deste autor, afirma a enciclopédia Portuguesa-Brasileira: «As suas supremas qualidades são a fertilidade da invenção melódica, a clareza ática do pensamento, a elegância e a pureza das formas… (As sua obras) contam-se entre os maiores monumentos da música sinfónica de todos os tempos».




Notícias relacionadas


Scroll Up