Fotografia:
815. Meu caro Leitor:

1Decerto viste como eu vi o pequeno indonésio MARTUNIS a bulir com a consciência nacional. A elevar-nos a auto-estima e a solidariedade, muito mais que qualquer discurso do Presidente da República ou dos políticos em campanha eleitoral!

N/D
26 Jan 2005

E tudo a passar pelo futebol! Treinador e jogadores da selecção de todos nós a abrir o coração e os cordões à bolsa. GENEROSAMENTE! E em favor do pequeno indonésio.
Por vezes, somos assim: pequenos, mas grandes! Pena que só de vez em quando e por pouco tempo!

Aquela camisola da selecção nacional no corpo franzino do náufrago do tsunami ainda vai fazer um milagre: MARTUNIS será o exemplo, embora trágico, daquilo que tanto se podia fazer por tantos Martunis do mundo e não se faz!

Não tenho dúvidas, meu Amigo, de que o país só funciona, só se mobiliza a sério, quando estão em causa coisas do coração e da… bola! Foi assim com o último campeonato europeu de futebol que, ingloriamente, perdemos para os gregos!

Porque confiámos de mais nos pés e de menos naquilo que sempre fez a diferença e a grandeza dos homens: a coragem, a determinação, a humildade, a vontade de vencer!

MARTUNIS, salvo das águas qual Moisés do século XXI, com a camisola da selecção nacional colada ao débil peito, deverá servir-nos de exemplo e proveito; de que, para grandes males, grandes remédios, que é como quem diz, a catástrofe de MARTUNIS vale-lhe, agora, um futuro promissor a que, como ser humano, tem direito, mas que lhe vinha, em condições normais, sendo negado.

2. Entretanto, caro Leitor, se discutíssemos cultura ou boas maneiras, economia, educação… como discutimos futebol, o país não estava, de certeza, como está. E é este estigma, esta maldição que sobre nós pende, de que só quando a fatalidade nos bate à porta, nos aflige, é que somos capazes de despertar, de dar a volta por cima, de crescer!

E aí, o futebol ainda tem funcionado como catalizador de energias, emoções e vontades, já que, semana a semana, nos dá tantas alegrias quantas tristezas! Por isso, se aplicássemos esta sinergia colectiva, oculta mas latente, às demais valências nacionais já não estávamos no pântano em que mergulhámos!

Até, meu Amigo, podíamos ser um grande, um próspero país, onde fosse bom trabalhar e viver. Não temos petróleo, é certo, nem ouro, pimenta, mostarda, canela e marfim, como noutros tempos!

Mas, temos outras coisas: o sol, a floresta, o artesanato, a comida, o calçado, os brandos costumes, a hospitalidade, a simpatia, o engenho, a arte… E que é preciso transformar em petróleo, ouro, pimenta, mostarda, canela e marfim de outros tempos!

Eu sei que tu me dizes que nos tem faltado HOMENS!! Que puxem para a frente e para cima a selecção! Mormente nos momentos mais difíceis, como estes! Mas, acaba por funcionar tudo ao contrário.

Por exemplo, por que será que a maioria dos políticos quando vê a coisa preta dá à sola? São exemplos disso as fugas de Cavaco, Guterres e Durão! E, assim, continuamos sem ter quem pegue o touro pelos cornos!

O país vai mal, afunda-se, a economia não corre, a pobreza instala-se, etc., etc., etc., e continuamos todos um bando de cagarolas que mete o rabo entre as pernas?

Ora, governar quando tudo vai bem não custa. Distribuir trigo com os celeiros fartos, é bom! Mas, isso quem quer faz. Não é preciso ir à universidade ou fazer um MBA nas Américas!

Vem-me, de novo, à lembrança a imagem, linda e tenaz, do pequeno MARTUNIS! Será ele o puxador que nos falta na selecção? O sopro, o impulso, o élan, a mística capazes de soltar a veia, de nos levantar da apagada e vil tristeza que nos consome?

Aquela camisola da selecção de todos nós, no corpo do MOISÉS, mais que um símbolo, ela é a alma nacional!

Com um abraço e até de hoje a oito!




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