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Os vendedores de quimeras

Aproxima-se mais um acto eleitoral. Por isso vamos ter festa com música e foguetes até ao dia 20 de Fevereiro. Quem é que não vai gostar?! A festa é sempre bonita, é sempre festa!

N/D
25 Jan 2005

Como o Carnaval que já vem aí, se mete pelo meio, vamos ter festa a sério, vai ser mesmo a dobrar.

Os vendedores de ilusões, que tanto gostam de nós, têm tudo pronto para o arraial. A festa vai ser de arromba. No grande largo da festa – o país inteiro – vamos ter toda a variedade de prendas para receber, generosas ofertas embaladas em vistosos papéis brilhantes.

Quem é que não irá gostar e levar para casa! E vai ser tudo em abundância.

Cada um dos vendedores, para ficarmos com as prendas que tem para nos dar, vai dizer, vezes sem conta, mal das prendas dos outros. A má língua a reinar em cada canto do arraial.

Eu é que sou bom! Eu é que sou bom! Vai ser este o pregão de todos os dias que durar a festa. O pregão caloroso de quem tudo promete, sem nada ter para dar, de quem tudo faz, sem ter, ou conhecer a matéria prima necessária.

Os profetas do futuro, dum tempo que não é deles, nem é nosso, vão correr por todo o lado deixando promessas e mais promessas, prendas e mais prendas para quem os ouvir.

A festa até nem vai deixar de ser bonita e interessante. Um futuro risonho para todos nós vai ser apresentado em bandejas douradas, em diferentes perspectivas, facilitando ao máximo as escolhas.

O grande repasto vai ser condimentado para todos os gostos. Só não vai petiscar quem mesmo não tiver apetite.

Mas no fim, quando o largo do arraial estiver deserto, e cada um tiver regressado a sua casa, e abrir o embrulho das prendas, o que encontrará dentro das vistosas embalagens que lhe foram oferecidas?

Talvez só frágeis quimeras. Débeis ilusões e mais nada. Em vez do lauto repasto prometido, talvez apenas, e só, um caldo deslavado, temperado com o sal das tantas ilusões apregoadas.

Das tantas iguarias prometidas, ficaremos só com o desejo de um futuro melhor, que todos prometeram, mas que nenhum será capaz de dar, ou ao menos dizer onde cada um o poderá descobrir.

E as promessas leva-as o vento.




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