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Votar

Votar é, simultaneamente, um direito e um dever. É um direito que enobrece o eleitor recenseado e é um dever que todo o cidadão deve exercer.

N/D
24 Jan 2005

Em tempos passados, falava-se mais no direito de votar, porque a legislação eleitoral punha diversos obstáculos ao uso desse direito. Recordem-se as limitações impostas aos analfabetos e ao sexo feminino.

Presentemente, dado o grande número de abstencionistas, os políticos sentem mais necessidade de falar no dever de votar.

Contudo, a meu ver, por uma questão de pedagogia, deve-se falar sempre nos dois aspectos inerentes ao acto de votar.

Deve-se ainda condenar, não só os que, arbitrariamente, desse direito não fazem uso, como também os governos que impedem, ilegitimamente, alguém de votar.

Não reconhecer a qualquer ser humano o direito de votar, cheira a escravatura e faz recordar tempos antigos.

O direito de votar reconhece o homem, como parte integrante da nação, dá-lhe um determinado estatuto de dignidade e atribui-lhe a possibilidade de influenciar o curso da sociedade em que está inserido.

Por sua vez, o dever de votar cria no cidadão determinada responsabilidade, pelo que de bom ou de mal possa suceder na vida social.

Votar, por isso, não é um acto lúdico de diversão, um jogo de fortuna ou azar, ou uma coisa de que se possa prescindir.

No voto não há simpatias pessoais, afinidades ou avenças. Muito menos se pode aceitar pressão de qualquer espécie.

Não se vota por acaso, nem se joga à sorte ou ao «seja o que Deus quiser».
Não se vota em quem se quer, mas, sim, em quem se deve.

O poder, segundo a opinião mais generalizada, está no povo que, através do voto, entrega esse poder a quem lhe pareça estar em melhores condições de governar.
Daqui surge a necessidade da eleição, para a escolha da parte mais habilitada.
A opção exige análise e impõe reflexão.

Por isso, antes do dia da eleição, existe um determinado período de tempo, para os candidatos apresentarem os seus programas de governação.

Durante este tempo de campanha, costumam os candidatos fazer determinadas promessas.

Umas vêm embaladas em “banha de cobra”; outras são utopias irrealizáveis; outras, ainda, ou são cassetes rotineiras (v.g., o zelo pela periferia e interior) ou são promessas alheias às necessidades do povo.

Depois, em pleno exercício, uns cumprem quase totalmente, outros, assim-assim, outros, ainda, ignoram completamente o prometido.

Este incumprimento, sem razões justificativas, parece-nos ser razão suficiente para o eleitor, em futuros escrutínios, negar-se a votar no mesmo candidato.

Quem governa mal e não cumpre o prometido, não merece confiança.

É que a eleição, sendo uma honra, não deixa também de ser um encargo.

O eleito, quando investido nas funções, assume grande responsabilidade e, pelo bom ou mau exercício do cargo, deve responder nas eleições seguintes.




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