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Nótulas soltas da minha agenda

Só uma personalidade de alto gabarito, como a de Adriano Moreira, pode ajudar-nos a reflectir serenamente

N/D
24 Jan 2005

1Os meus leitores devem ter ido à Feira do Fumeiro, em Montalegre. Se não foram, não sabem o que perderam. É uma actividade a que me habituei!

Mas, o mais “entusiasmante”, para mim, são alguns amigos que tenho na “Terra Fria” e que põem o meu colesterol a níveis perigosos.A D. Ana Maria, que teima em tratar-me e à minha família, que em parte também é dela, como príncipes. Nunca poderei esquecer todo o ambiente que nos cria.

E a mesa?… Que entradas e que arroz “pica no chão” de frango verdadeiro!… Uma tentação. Tentação de grande risco é também a mesa da D. Alice. O meu leitor não pode imaginar o que é o seu “cozido à portuguesa”!

E a sua hospitalidade à transmontana são para nunca esquecer. Estas Senhoras são um perigo na cozinha: notáveis cozinheiras com mãos de fada para os diversos e ricos enchidos que nos tentam até ao limite! Não sou um bom garfo porque aprecio a boa mesa. E na casa destas amigas assumo-me como um bom garfo!

2. Ando há anos a dizer e a escrever que em Portugal nunca houve uma Política de Família. Não me canso de o dizer e escrever. É verdade. Mas a minha voz é totalmente insignificante. Sei isso e não tenho complexos.

Fico, pelo contrário, muito satisfeito quando vejo autoridades nos temas da Família defender aquele ponto de vista. Transcrevo da revista “Xis” de 15 de Janeiro p.p. uma curta mensagem de um notável artigo do Prof. Daniel Sampaio, que naquele suplemento do “Público” escreveu: «Muita coisa se decide na infância, é verdade. A investigação psicossocial tem demonstrado que os três primeiros anos de vida são essenciais para o desenvolvimento da personalidade e que uma relação precoce fiável, com figuras adultas seguras e estáveis, é o primeiro passo para assegurar um futuro com menos dificuldades.

Em países sem uma política coerente e integrada, como Portugal, é natural que surjam, com mais frequência do que noutros locais, problemas ligados à criança e à família. […] Se não formos capazes de, precocemente, proteger e ajudar a crescer as crian-ças, não seremos capazes de ter escolas a funcionar, por mais formação que dermos aos professores; continuaremos a ter os tribunais de crianças e jovens a abarrotar de processos de difícil resolução; e os serviços de saúde continuarão a ter mais casos de mau prognóstico, afinal susceptíveis de terem sido prevenidos».

Querem-nos fazer crer que defender a Família é “coisa” do passado a que só se dedicam “conservadores” empedernidos e insensíveis aos novos tempos. Que eu saiba, o Doutor Daniel Sampaio, um dos mais qualificados especialistas em Terapia Familiar, é um homem de esquerda.

Na realidade a Família não é de esquerda nem de direita. É património da humanidade, ainda que haja famílias com opções políticas, sociais e económicas de direita e de esquerda! Vale a pena pensar, promover, ajudar e defender a Família, pois nela se espelha o Passado, se vive o Presente e se projecta o Futuro!

Dela depende o futuro da humanidade! Temos que nos convencer desta realidade e agir em conformidade!

3. Vejo sempre com muito interesse o programa “Prós e Contras” da RTP1. Mas, o do dia 17 entusiasmou-me por causa das intervenções do Prof. Adriano Moreira. As únicas que foram límpidas e profundas, sem contaminação “eleitoralista”. Só uma personalidade de alto gabarito, como a de Adriano Moreira, pode ajudar-nos a reflectir serenamente.

As prestações de Mário Soares e de Freitas do Amaral, ainda que interessantes, estavam profundamente “contaminadas”. Balsemão não me desiludiu, sendo igual a si próprio: não disse nada que fosse francamente relevante. De qualquer modo, o programa referido foi francamente bom.




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