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Eles devem dar testemunho

Temos assistido, com a regularidade que a disponibilidade nos proporciona, a mesas redondas promovidas pelas televisões a respeito das eleições do próximo futuro dia 20 de Fevereiro.

N/D
24 Jan 2005

E é com alguma satisfação que vamos anotando existir um consenso generalizado à volta deste conceito: digam a verdade aos portugueses. Esta satisfação pessoal radica não apenas por termos abordado o assunto no nosso último escrito, mas também pelo que dele pode beneficiar o nosso País que precisa de ser tirado do pélago em que as políticas desastrosas de uns tantos colocaram sem apelo nem agravo.
Os dois candidatos a primeiro-ministro, Sócrates e Santana, não reúnem qualquer força intrínseca ou carisma de liderança que mobilizem e congreguem os entusiasmos geradores dessas recuperações, económica, financeira e de confiança de que tanto necessitamos.

O PSD, por exemplo, teria muito a ganhar se, em vez de Santana Lopes, pudesse apresentar um outro candidato a primeiro-ministro. Este pensar é alicerçado pelo que colhemos de testemunhos vários que nos dizem que o Partido Social Democrata subiria uns quatro a cinco pontos se em vez de Santana aparecesse uma outra figura, embora não devesse ser um velho da velha política, mas um jovem que falasse ao país como Kennedy um dia falou à América.

E se Sócrates fizesse o mesmo em favor, por exemplo, de Vitorino? Talvez a maioria que tanto almeja o PS estivesse mais próxima de ser alcançada do que com ele a chefe do Governo. Para isso era preciso que um e outro desse testemunho de desprendimento do poder. Miragem? Utopia? Política de coração aberto?

Anseio pueril? Talvez isto tudo, talvez mais anseio de procurar o Homem de Diógenes de Sínope; mas uma coisa é certa: se ambos fossem homens capazes de uma devoção ao bem estar e bem querer do seu partido e, principalmente do seu país, os dois abdicariam do que pretendem porque, na verdade, nem um nem outro são a exacta medida dos seus próprios partidos, muito menos reúnem em si as qualidades do timoneiro para as horas difíceis que o país atravessa.

Sentimos nós isto e a grande maioria dos portugueses sentem como nós. A grande dimensão do homem, mesmo quando comprometido com os seus egoísmos, aparece perante a exigência do bem maior. A ambição não pode sobrepor-se aos outros valores do seu quadro axiológico, nem amputá-lo da sua representação mais nobre.

Esta é a nobreza da alma, espelho e simultaneamente reflexo duma acção com sentido. Sabemos que o egoísmo é um traço dominante de qualquer ser humano mas, por isso, chamamos Homens aos vencedores e homenzinhos aos vencidos.

A dimensão que a crise nacional toma terá, simultaneamente, a marca do egoísmo – para os que teimam ser aquilo para que não servem -, e a do desastre – se essa teimosia prevalecer. Isto leva-nos para a solução do messias. Já ouvimos vozes no fundo do quintal a chamar pelo pulso forte.

Procurar uma solução democrática é quase um imperativo nacional – onde mora esse santo graal? -, mas de nada nos admiraria que um “salvador” (ditador?) apareça por aí a dizer-nos: «aqui estou». Não o «aqui estou» do suave milagre de Eça de Queiroz, mas um «aqui estou» a dizer: arreda para lá democracia porque agora é novamente a minha vez.

Penso que poderíamos salvar Portugal se tivéssemos um bom homem ao leme. Para isso é preciso que aqueles que ao lugar se fazem deixem a bússola e o trajecto da navegação deste país nas mãos de um outro que saiba traçar uma rota segura.




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