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Pela imprensa estrangeira

Vários assuntos têm vindo a merecer eco nos jornais estrangeiros: eleições e pós-eleições na Palestina (tema que prevíamos tratar hoje); tortura, designadamente, no Iraque, em Guantanamo; eleições no Iraque previstas para o dia 30 deste mês de Janeiro; ratificação do projecto de Constituição Europeia (já efectuado nos Parlamentos da Lituânia e Hungria); e o primeiro referendum a levar a cabo na Espanha no próximo mês de Fevereiro.

N/D
23 Jan 2005

Outros temas actuais: pensionistas russos; finalmente a alteração do poder na Ucrânia; o novo mundo de Bush; programa da ONU para o combate à pobreza; fotografias de Titan; 50 anos da morte de Einstein, o pai da teoria da relatividade; Auschwitz: «60 anos depois, a memória contra o esquecimento».
Mas, first things first, cada coisa por sua vez. Vamos adiar a problemática da Palestina e desenvolver, agora, um assunto: a imigração.

A imigração é de verdadeira actualidade em Portugal e em vários países europeus, nomeadamente, em Espanha.

Um conjunto de autores espanhóis, Francisco Checa e outros, num livro intitulado “Imigração e Direitos Humanos” (a integração como participação social) diz: quanto mais tempo dedico ao estudo da migração, mais convencido estou que o principal elemento que transforma este fenómeno em destino, é a integração social dos imigrantes.

Justamente porque a integração social não pode fazer-se de forma abstracta, técnica mas, na realidade, de maneira prática. Não é possível falar de integração social sem ter garantidos os direitos dos imigrantes como pessoas, como seres humanos normais e normalizados.

A integração social só estará assegurada quando a inclusão dos estrangeiros se efectuar como um processo, considerado este a partir de uma perspectiva integral (uma vez que afecta todos os aspectos da vida e suas situações. Por isso tenho falado em mais do que uma ocasião como um longo caminho para percorrer.

O jornal “Faro de Vigo” de 9 de Janeiro trazia um artigo bem elucidativo do que se passa e vai passar em Espanha com os imigrantes, que não deixa nem deixará de ter certo paralelismo com o panorama português. Aí se refere: os novos espanhóis – veja-se como o articulista trata os imigrantes – somam quase três milhões, um terço deles “sem papéis” e à espera da próxima regularização.

Os que estudam a imigração insistem em que proporcionar-lhes direito de cidadania é uma base para a integração. Todos esses homens e mulheres e seus filhos não estão de passagem. Vão ficar e prosseguir aqui. São novos espanhóis, mas os seus filhos serão todavia mais.

A desconfiança gerada em consequência do 11-M[arço] não facilita essa mescla imprescindível para a convivência com tantas pessoas dispostas a que nenhum Estreito de Gibraltar e nenhum aeroporto lhes impeça a passagem. E mais adiante diz: estão aqui, vieram para ficar e não se vão conformar, como até agora, com as migalhas. São os novos espanhóis, contribuem para evitar a redução da população e permitem a regularização das contas da Segurança Social.

Se esta sociedade é permeável, flexível, inteligente, abrir-lhes-á as suas portas. De contrário, eles farão o seu próprio mundo à margem. Estão habituados a superar dificuldades, a lutar por cada palmo de legalidade. O controle do Estreito de Gibraltar não os frenará e muito menos o fará a fronteira interior. De momento fazem os piores trabalhos mas, caladamente, progridem e dentro de alguns anos, eles ou seus filhos, ocuparão melhores postos, criarão empresas. Serão como os outros.

Ao mais alto nível comunitário, conforme refere o jornal “Le Monde” de 11 de Janeiro, a União Europeia tenta harmonizar as regras da imigração legal. Um projecto de Directiva vai ser submetido aos vinte e cinco [países] tendo em vista chegar a uma coordenação mínima das legislações sobre o acolhimento de estrangeiros para colmatar o défice de especialistas e de mão de obra.




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