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Negócios da China

É caso para perguntar – o que é mais importante: as pessoas ou os negócios?

N/D
22 Jan 2005

Nos últimos dias, tem sido notícia a visita de Estado do Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, à República Popular da China.
Esta visita tem algumas notas que devem ser registadas: primeiro, o facto do nosso presidente visitar aquele país pela segunda vez, nos seus mandatos, o que se torna um facto quase inédito, visto a China não ser muito visitada; segundo, a comemoração do quinto aniversário da transferência da soberania de Macau; terceiro, o aumento da procura da aprendizagem do ensino da língua portuguesa pelos estudantes chineses; quarto, o estabelecimento de uma unidade de contacto, por parte de Pequim, com os países de língua oficial portuguesa, tendo em vista relações económicas mais estreitas.

Portugal foi a primeira nação europeia a ter laços diplomáticos e económicos com o Império do Meio, no século XVI, tendo ajudado os imperadores da China a vencer os corsários e piratas que existiam nos mares da China. Devido a esta preciosa ajuda, a China concedeu a zona onde foi erguida a cidade do Santo Nome de Deus de Macau, dando início à presença portuguesa no Extremo Oriente durante mais de 400 anos.

Com o estabelecimento permanente dos interesses de Portugal, naquelas paragens, começaram as transacções económicas que vieram a dar origem à expressão “negócios da China”, ou seja, negócios muito lucrativos, pois davam dividendos muitas vezes superiores aos investimentos.

O nosso Presidente tenta reeditar a versão século XXI dos “negócios da China”, levando consigo, e muito bem, dezenas de empresários lusitanos, falando-se já da transferência das unidades de produção de têxteis portugueses para a China.

Contudo, em tudo isto há a lamentar a ausência das referências à defesa dos direitos humanos, principalmente em matéria de liberdade política e religiosa.

Em questões políticas, a grande China (país mais populoso e terceiro maior do mundo) continua a ter o sistema de partido único, continua a ser uma potência invasora do Tibete, ameaça continuamente Taiwan, e por aí adiante.

Relativamente aos assuntos religiosos continuam as perseguições às Igrejas cristãs não oficiais. É preciso recordar que as relações entre a China e o Vaticano foram cortadas em 1957, depois de o Papa Pio XII ter excomungado dois bispos nomeados pelo regime comunista. O Vaticano estabeleceu então relações com Taiwan.

Nestes dias, deixaram regressar a casa o bispo católico Julius Jia Zhiguo, após o prelado ter sido detido a 5 de Janeiro. O bispo de Zheng Ding (Hebei) foi preso numa igreja situada na aldeia de Wu Qiu por três membros do Departamento de Assuntos Religiosos, sem que se explicassem os motivos da detenção. O prelado, de 69 anos, já passou 20 anos na prisão e esta é a sexta detenção que sofre em nove meses, segundo informou a agência AsiaNews.

Em Dezembro, a China publicou novas directivas sobre as questões religiosas. Segundo os média oficiais, as orientações têm a intenção de melhor assegurar a liberdade de culto. Essa liberdade, contudo, limita-se aos cultos oficiais reunidos no quadro das “associações patrióticas”, controlados pelo poder comunista. E muitos mais casos são denunciados por várias organizações católicas e de defesa dos direitos humanos.

É caso para perguntar – o que é mais importante: as pessoas ou os negócios?




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