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Outro ponto de vista…

Acho que a nova geração de políticos, além de melhor preparada, serve e servirá melhor Portugal

N/D
21 Jan 2005

A memória de um povo é um dos garantes da sua própria sobrevivência. Um povo sem história e sem memória pode ter presente, mas fica-se por aí, sem futuro…
É bom ter memória. Aliás, alguém em tempos imemoriais dizia que «conhecer é recordar».

Este intróito vem a propósito de duas situações que demonstram alguma desonestidade intelectual de alguns dos nossos “homens bons” da Pátria Lusitana.

A recente viagem presidencial à China veio demonstrar que, às vezes, a nossa estrutura de valores é adequável.

Ouvir alguém, que sempre disse pautar a sua vida pela defesa dos direitos do homem, dizer que a questão dos direitos do homem na China deve ser contextualizada e tratada de outra forma, tem de escandalizar qualquer ser humano decente.

Pessoalmente, chocou-me!

Até porque revela um profundo cinismo, senão mesmo oportunismo. Esta nuance, esta ardilosa abordagem a uma questão fundamental, tem na sua génese a necessidade de não indispor aqueles que julgamos poderosos. Mas eles são-no, porque nós vamos permitindo que eles o sejam.

É também pelo desrespeito dos direitos do homem que os chineses nos aparecem como economicamente competitivos.

São competitivos na produção, porque escravizam um povo de uma nação.

Se não tomar posição sobre matéria tão importante nos parece grave, levar na comitiva “empresários”, provavelmente à custa de todos nós, que pretendem deslocar a estrutura produtiva de Portugal para cantos onde o valor do homem e do seu trabalho, vale coisa nenhuma – não só nos tem de chocar como, sobretudo, nos obriga a dizer: basta.

Recordamos, porque temos memória, posições passadas e ficamos esclarecidos!

Uma outra situação que me causou alguma perplexidade foi a prestação televisiva de alguns senhores, considerados “senadores do reino”.

Se momentos houve de grande elevação intelectual, nomeadamente com a participação de Adriano Moreira, em alguns outros momentos mais valia desligar o televisor, tal o despudor com que alguns defendiam coisas com o mesmo afinco que em tempos não muito distantes eram o seu contrário.

Na lógica aprendemos que afirmar a verdade e falsidade sobre a mesma realidade conduz-nos ao absurdo. Alguns parecem ter dificuldade em perceber esta realidade.

Na política, como na vida, não basta ter um saber livresco, não é necessário ser mesmo um erudito, o necessário e suficiente é ter convicções e estas são como os valores, não são adequáveis às situações!

Com “senadores” desta estirpe estamos bem servidos.

Aliás, porque tenho memória e conheço recordando, sempre acho que a nova geração de políticos, além de melhor preparada, serve e servirá melhor Portugal.

Post-scriptum: A posição do presidente dos autarcas socialistas sobre a corrupção existente no poder local é hilariante… Em próxima crónica abordaremos a temática!…




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