Fotografia:
Uma iniciativa louvável e meritória

Desde 7 de Janeiro e até 4 de Fevereiro, quase sempre ao fim de semana, decorrem reuniões de formação com os Conselhos Económicos Paroquiais. São 17 encontros, pois que dos 14 arciprestados, em Barcelos há 2 encontros e em Guimarães há três.

N/D
19 Jan 2005

Uma equipa de 3 elementos, contando com um dos bispos ou o vigário geral, um perito em assuntos fiscais e um sacerdote mais dedicado aos problemas da liturgia, desloca-se ao local do encontro, onde, em cooperação com o arcipreste ou vice-arcipreste, dinamiza a reunião.
Começa-se com um cântico, seguindo-se a chamada de todos os representantes das paróquias. É então a vez de um dos bispos ou o vigário geral explicar o essencial da reunião, cabendo-lhe ainda o encargo de sensibilizar as pessoas para os novos tempos que a revisão da Concordata nos traz e que se saúdam como positivos, pois que a Igreja não quer mais discriminações do que aquelas que estão consagradas e que têm em conta a sua função inestimável na sociedade.

Casos bem concretos que levaram para os tribunais diferendos entre juntas de freguesia e conselhos económicos mostram a importância de as comissões fabriqueiras procederem ao devido inventário e registo dos bens de toda a ordem que lhes estão confiados.

É que, em certos casos, com argumentos falaciosos, certas juntas de freguesia não têm pejo em lançar mão do que não lhes pertence, querendo ignorar a tradição e a história. Destes factos também decorre a necessidade de separar bem as águas e tudo fazer para que nos conselhos económicos não estejam elementos da autarquia local. São de evitar as misturas que podem tristemente partidarizar um órgão que tem de ser congregador das pessoas e não um factor de discórdia.

Ainda no sentido de evitar ao máximo que haja decisões prejudiciais para a paróquia, são dadas indicações aos membros dos conselhos económicos para não decidirem nada que tenha a ver com cedência ou venda de terrenos, mesmo que para alargamento de cemitério, para uma escola ou centro social, sem passar pela Cúria Diocesana, a fim de se salvaguardarem devidamente os interesses da paróquia e só esses. A Diocese não quer nada para si. Unicamente quer zelar pelos interesses da paróquia.

Neste Ano da Eucaristia, o segundo tema procura vincar que os conselhos económicos devem ser os primeiros a estar sensibilizados para o facto de que a Eucaristia «é o próprio coração e o centro da vida cristã». E que é pelas provas de amor mútuo e pela solicitude para com quem passa necessidade que um cristão que celebra a eucaristia será reconhecido como verdadeiro discípulo de Cristo.

Por isso, a prioridade dos conselhos económicos deve estar voltada para a valorização das pessoas para melhor servirem a comunidade através da pastoral e da liturgia.

Urge pensar na formação teológico-pastoral, bem como litúrgica, catequética, pedagógica e musical, entre outras, dos vários agentes chamados a intervir na dinamização das actividades da paróquia. Formação que, se não é possível a nível de uma só paróquia, convoca à junção de várias paróquias ou arciprestados para que se torne exequível.

Há um vastíssimo campo de actividade que exige a participação activa daqueles que têm o especial encargo de apostar no essencial: formar pessoas para saberem exercer com competência, perseverança e entusiasmo as funções que lhes forem confiadas ou para que se sintam mais vocacionados. Isso levará a olhar de modo diferente para a Igreja onde a comunidade se congrega.

Não serão poupados esforços para que os lugares nobres da celebração: Altar, Sede ou Cadeira e Ambão tenham a dignidade e beleza que lhes pertencem e sejam sinal de uma comunidade viva e atenta. Tudo se fará para que exista um bom órgão, para que haja dignidade e decoro nas alfaias e nas vestes, para que existam e estejam devidamente acondicionados os vários livros a utilizar nas diversas celebrações. Será outra a atenção prestada à iluminação do edifício, bem como ao som e ao conforto mínimo dos bancos para os membros da assembleia se poderem sentar.

Quem é capaz de angariar 100 mil euros ou 20 mil contos para gastar numa festa, sobretudo em foguetes, decorações e conjuntos musicais, de certeza que tem de ser sensibilizado para que na paróquia não falte o essencial, aquilo que pode gerar verdadeira vida cristã e que é um dos sinais de que a comunidade, de facto, celebra e vive da eucaristia, e não se limita apenas a estar passivamente presente numa missa que os não compromete no discernimento e mudança de atitudes.

São depois expostas algumas das consequências do novo regime fiscal decorrente da nova concordata, embora se esteja à espera de algumas clarificações e da regulamentação em que trabalha a comissão paritária. Essencialmente, trata-se de ter uma escrita transparente e fiável, de receita e despesa, com os elementos de prova exigíveis, por exemplo em termos de recibos passados e de facturas de coisas adquiridas.

A grande mudança é que os sacerdotes passam a pagar IRS, continuando a fazer também os descontos que já faziam para a Segurança Social através da Diocese. 2005 será ainda um ano de transição, mas tudo deve ser feito para que, de facto, as coisas se estabeleçam e consolidem.

Fui protagonista e testemunha de algumas reuniões já efectuadas. É bom saber que a Diocese está a fazer esta aposta, mesmo que os seus mais directos responsáveis tenham que se disponibilizar para estes encontros e eles exijam bastantes sacrifícios.

Mas só com formação séria e sólida dos principais agentes pastorais das nossas comunidades cristãs pode haver para elas um futuro digno e com qualidade.




Notícias relacionadas


Scroll Up