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814. Meu caro Zé:

1 aposto que já adivinhaste o que, hoje, te quero falar: ELEIÇÕES! essa cegada nacional, constantemente, usada e abusada! PROSTITUÍDA! E como tudo que tanto se usa e de que tanto se abusa, tornaram-se banais e ineficazes.
804.

814. Meu caro
804. Zé:
804.

N/D
19 Jan 2005

Todavia, como nos tempos do PREC tanto se badalou, o voto ainda é uma arma! A arma do povo! Só que, ou porque ele não a sabe usar, ou a usa, indevidamente, só tem dado tiros para o ar ou no próprio pé!

Basta veres como os políticos, passada a campanha eleitoral e contados os votos, depressa esquecem as promessas que fizeram e se borrifam para o povo! E digo-te mais: nunca o divórcio entre eleitores e eleitos foi tão evidente e escabroso!

E por que é que isto acontece? Por que é que as coisas chegaram ao beco sem saída em que estão? Por que é que o descrédito na política e nos políticos é cada vez mais confrangedor?

CULTURA! CIVISMO! PARTICIPAÇÃO! Três coisas, caro Zé, que faltam ao povo e se reflectem no seu voto. E de que os políticos, magistralmente, se servem para, manobrando a arma, que é o voto, contra quem a usa, governarem mais em proveito de oligarquias (partidos) e grupos organizados (lóbis) do que dos reais interesses do povo!

E na maior das latas!

2. Tu sabes, meu velho, que as eleições se transformam cada vez mais numa farsa! E onde a dança de cadeiras e nomes, o jogo do empurra, o assalto ao poder se sucedem! VERGONHOSAMENTE!

Comecemos pelos candidatos: quem os escolhe? Quem organiza as listas? Os partidos ou o povo? Claro, os partidos, ou antes, meia dúzia de homens do aparelho. E, quando chegamos à altura de votar, o facto está consumado. Não escolhemos nada!

por isso, é que os partidos, percebes, cada vez mais são ilhas e à cabeça das listas vêm candidatos alheios à terra, à cultura e interesses do povo. E a borrasca que isso provoca! Uns a empurrarem os outros, a passarem à frente, a intrigarem! Numa demonstração clara de caciquismo, compadrio, seguidismo e clientelismo!

Depois, o sistema eleitoral: obsoleto, enquistado, a precisar de urgente reforma!

Como noutros países mais evoluídos e democráticos, faltam-nos os círculos uninominais e a redução do número de deputados. E, sobretudo, maior aproximação entre eleitores e eleitos, para que estes melhor representem os interesses e necessidades daqueles e não os do partido a que pertencem.

Finalmente, os programas eleitorais e de governação: onde estão? Esparsos e vagos, resumem-se a meia dúzia de chavões, repetitivos e gastos. E, em vez da discussão e o esclarecimento, serenos e construtivos, aposta-se no espectáculo, no mediatismo, no bota-abaixo!

Ora, caro Zé, perante esta trapalhada, perguntas-me tu:

– Que fazer da minha arma (que é o voto)? Depô-la ou usá-la?

E eu repondo-te que, obviamente, usá-la. A abstenção não é solução! E tu insistes:

– Então, em quem vais votar?

E eu respondo-te claramente: Olha, como não me revejo em nenhum dos candidatos e muito menos nas suas trapalhadas, só me resta, como protesto, votar nulo ou branco!

Satisfeito?

Venham daí esses ossos e até de hoje a oito!




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