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Em 20 de Fevereiro: Predizendo a surpresa!

Facilmente se pode esperar que os democratas-cristãos portugueses poderão atingir um nível de votação há muito não alcançado, constituindo, sem dúvida, uma das maiores consequências do próximo acto eleitoral

N/D
18 Jan 2005

Assiste-se já, com inefável avidez, ao arranque da campanha eleitoral que se avizinha.

As eleições marcadas para 20 de Fevereiro serão o epílogo da legislatura abruptamente interrompida. No terreno, as máquinas partidárias afinam estratégias.

As sondagens reveladas pela comunicação social dão alguma vantagem ao Partido Socialista. Em contrapartida, o PSD terá de usar todo o engenho para recuperar o perdido. Por sua vez, o CDS-PP inicia esta caminhada com uns confortáveis 6,5% de intenções de voto, já que em todas as últimas eleições disputadas e a uma distância de tempo semelhante as projecções nunca foram além de 2 ou 3%.

E os resultados foram os que se conhecem. Partindo agora com uma pontuação que é superior à dupla do habitual, facilmente se pode esperar que os democratas-cristãos portugueses poderão atingir um nível de votação há muito não alcançado, constituindo, sem dúvida, uma das maiores consequências do próximo acto eleitoral.

No que aos outros partidos diz respeito, o PCP tentará a todo o custo segurar o seu eleitorado, o Bloco de Esquerda continuará com imaginação e algum sentido de humor a disparar em todas as direcções procurando captar alguns descontentes, o PND irá tentar fazer eleger pelo menos o seu líder e quanto aos restantes, apenas irão compor o ramalhete de opções oferecidas aos portugueses.

No que auguro como a grande surpresa do dia 20 de Fevereiro e que é a subida estrondosa do CDS-PP, as razões são evidentes. As provas que os seus diversos governantes deram ao longo dos últimos três anos constituem uma garantia de qualidade que catapultam o partido que representam para a assumpção de responsabilidades mais amplas e que lhe granjeiam um notório penhor de credibilidade.

Nesta lógica, o centro-direita sofrerá um reequilíbrio de forças adquirindo uma marca democrata-cristã mais vincada, à semelhança do que se passa um pouco por toda a Europa do Sul.

O CDS-PP passará a ter um peso mais consentâneo com a sua matriz ideológica, que social e historicamente se identifica bem com boa parte do povo português.

Este tempo pode estar próximo. Ao longo da sua existência, o partido teve sempre como referência, mais ou menos marcada, os valores do personalismo cristão e os ensinamentos da doutrina social da Igreja.

A grande causa que o confinou à dimensão que todos conhecemos está no desastre de Camarate, que levou ao desaparecimento de Sá Carneiro, Amaro da Costa e seus acompanhantes, conduzindo à desagregação da Aliança Democrática.

Amaro da Costa era o verdadeiro estratega e o elemento aglutinador do povo democrata-cristão e a sua morte constituiu um verdadeiro naufrágio para o partido, permitindo ao PPD-PSD o crescimento que se conhece.

Mais de duas décadas volvidas após tão funesto acontecimento para o partido, mas sobretudo para o país, veremos ressurgir no espectro político um partido democrata-cristão com maior representatividade e como tal com outros atributos para continuar a servir Portugal.




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