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A cultura do vale tudo

Miguel Rivilla San Martín depositava, recentemente, em periodismocatolico.com, um texto breve mas incisivo. Vale a pena citá-lo: «Muita gente vive hoje instalada, muito comodamente, na “cultura do vale tudo”, do “é tudo o mesmo” ou – dito claramente – do relativismo moral.

N/D
18 Jan 2005

Hoje, quase ninguém se incomoda com nada e toma-se como o mais natural uma coisa ou o seu contrário; a verdade ou a mentira; o bem ou o mal.Para muitos tanto vale:

1. ser uma pessoa honrada, ou um aproveitador

2. ser um bom trabalhador, ou um aldrabão

3. ser um bom marido e uma boa esposa, ou “costurar para fora”

4. servir o próximo ou servir-se dele

5. ser um cavalheiro ou um “carroceiro”

6. ser uma senhora ou ser “uma qualquer”

7. ser fiel ao seu par ou fazer o que se pode, desde que…

8. confiar em Deus ou deitar as cartas

9. ser católico, ou judeu ou testemunha de Jeová

10. ser respeitável, ou um desavergonhado

11. viver do trabalho, ou de habilidades

12. viver comprometido, ou estar simplesmente junto, ou ter um caso

13. ajudar os pais, ou ser um déspota exigente

14. dar tudo pelos filhos, ou dar-lhes roda livre

15. ser crente, ou agnóstico ou ateu

16. defender a vida, ou ser abortista

17. ser abstémio, ou alcoólico

18. dar esmola, ou explorar o próximo

19. cultivar o talento, ou enterrar qualidades

20. ser educado, ou inconveniente».

Após esta enumeração, meramente exemplificativa, Miguel Rivilla convidava os leitores a considerarem a lista ainda aberta e, por isso, a usarem da liberdade de a continuar…

Subjacente a este texto está, por certo, uma ideia que o jornalista não aborda no texto referido: a necessidade de uma formação sólida, que contrarie este estado de coisas; uma formação geradora de convicções depuradas e vigorosas, por muito que isso choque os que gostam de encontrar cérebros gasosos e manipuláveis. De facto, é bem verdade que «a quem não sabe para onde vai, qualquer caminho lhe serve»…

Confesso que me preo-cupa, no dia a dia, o número crescente de cristãos praticamente ateus. A muitos deles caiu-lhes, nalgum momento da vida, a leve película de uma catequese sem continuidade e, aqui e ali, decorada à força de cana. Ou seja: as paróquias e as famílias semearam, mas não cuidaram mais do campo.

Depois, a inércia, o contexto, as ditas “prioridades” fizeram o resto. E se o não tivessem feito, fá-lo-íamos nós, os que nos dizemos crentes, mas nos resignamos a esta apatia relativista que nos entra em casa, abre brechas no nosso círculo de amigos e nos empurra para o gueto onde, se estivermos quietos e calados, nos visitarão uma vez ou outra…

Dói-me tanto um cristão “Maria vai com as outras”, como os descrentes que não problematizam e já nem nos problematizam.

Que grande doença é esta de não sentir dor!…




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