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Vida, pão, paz e liberdade

No tradicional encontro de princípio do ano que o Papa tem com o corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé, João Paulo II apresentou os quatro desafios que, no seu entendimento, são colocados à humanidade em 2005. E estando nós, em Portugal, a viver um tempo de esclarecimento – pelo menos devê-lo-á ser na intenção – em ordem às eleições legislativas de Fevereiro próximo, quisemos respigar algumas das ideias apresentadas pelo Sumo Pontífice, questionando a nossa realidade nacional.

N/D
17 Jan 2005

* Vida e família
«Nestes últimos anos, o desafio da vida está-se fazendo cada vez mais amplo e crucial. Foi-se centrando particularmente no início da vida humana, quando o homem é mais frágil e deve ser protegido melhor».

«Em alguns países a família está ameaçada também por uma legislação que atenta – às vezes inclusive directamente – a sua estrutura natural, a qual é e só pode ser a da união entre um homem e uma mulher, fundada no matrimónio».

Vamos continuar a ser distraídos por propostas atentatórias da vida humana, inclusive ressuscitando o famigerado referendo ao aborto? Teremos de aceitar a inclusão de novas formas de família – entre pessoas do mesmo sexo, com animais à mistura, dando direitos a quem não quer deveres (“uniões de facto” e afins) – nas propostas eleitorais em curso? Os líderes partidários têm mesmo que estender ao resto da população as suas opções anti-naturais como se fossem dados de progresso?

* Pão

Há «milhões de seres humanos» que «sofrem gravemente de desnutrição» e dos «milhões de menores» que a cada ano «morrem de fome ou por suas consequências».

Os velhinhos, os reformados e os pobres têm de continuar a ser explorados nas iniciativas de campanha eleitoral? Até onde irá a ousadia de salários (à rico descapitalizado) num país que não produz, pouco investe e quase nada do que come ainda é produzido por cá? Temos ainda capacidade de valorizar as nossas terras e os produtos genuinamente portugueses?

* Paz

«Para construir a paz verdadeira e duradoura no nosso planeta ensanguentado, é necessária uma força de paz que não retroceda ante nenhuma dificuldade. É uma força que o homem por si só não consegue alcançar nem conservar: é um dom de Deus».

Até onde irá o compromisso pela paz para além de certos pacifismos ressabiados? Já saberemos aceitar a diferença e cultivar a complementaridade? Com tantas guerrilhas dentro dos partidos – veja-se o espectáculo das listas para deputados! – como poderemos acreditar que todos querem o mesmo, isto é, o bem estar dos seus concidadãos? Estaremos todos a falar do mesmo quando dizemos que este país (ainda) tem futuro?

* Liberdade, em particular religiosa

«Não há que temer que a justa liberdade religiosa seja um limite para as outras liberdades ou prejudique a convivência civil. Ao contrário, com a liberdade religiosa se desenvolve e floresce também qualquer outra liberdade, porque a liberdade é um bem indivisível e prerrogativa da própria pessoa humana e de sua dignidade».

Certos trejeitos anti-religião (cristã ou outra) de alguns paladinos da liberdade não esconderão complexos mal resolvidos na infância e na adolescência? Quem tem medo da acção política da Igreja católica? Haverá coragem suficiente de imitar o laicismo à francesa e a provocação amoral à espanhola? Há interesse em distinguir papéis ou em confundir funções… para reinar?

Vida/família, pão, paz e liberdade são, afinal, pilares da democracia. Assim saibamos construi-la, aprofundando os alicerces mais do que esburacando o telhado!




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