Fotografia:
Políticas de salvação nacional

Andaram-nos a enganar décadas a fio, dizendo-nos, amanhã será outro dia, e depois, afinal, todas as manhãs eram “manhãs submersas”. Será que vamos eleger aqueles que nos dizem a verdade, em vez dos que semeiam sonhos e esperanças vãs, quimeras à solta como cavalos sem freio?

N/D
17 Jan 2005

Se não fosse a enorme catástrofe que se abateu dobre alguns países na Ásia banhados pelo Índico, focando quase por completo as atenções de todos os portugueses, certamente que os acontecimentos nacionais mais relevantes seriam: as palavras do Presidente da República ao apelar para a convergência de esforços dos partidos políticos para fins económicos no intuito de salvar o País do atoleiro em que se encontra; a conferencia de imprensa dada pelo governador do Banco de Portugal na pessoa de Victor Constâncio, dizendo que chegou a verdade para a economia e finanças publicas, isto é, que, ou nos comprometemos todos a salvar Portugal, ou o atraso em relação à Europa será uma triste realidade e, em terceiro lugar, o consenso havido entre patrões e sindicatos, pela primeira vez em trinta anos de democracia, a demonstrar a necessidade de existência duma convergência de forças para haver empregos estáveis para todos.

Este correlato demonstra como Portugal esta em cima de areias movediças. E quando assim é todos os movimentos bruscos ou individuais só servem para matar ou submergir mais depressa. Neste estado de coisas todos seremos chamados para melhorar a situação em que nos encontramos: mas os exemplos vindos de cima são mais importantes.

Governos pequenos, despesas pequenas. Cortar despesas dentro de portas sim, sem, contudo, ser miserável for a delas. O poupado sempre terá o miserável nunca terá. Na função pública há que levar por diante a política de redução de efectivos sem despedimentos. Mas há sectores onde o bem comum deve estar bem protegido, caso da saúde.

Outros há que bem podem ser extintos conforme forem vagando. Dizem os economistas que a consolidação orçamental é uma aposta nunca ganha neste País. E que ela se faz pelo aumento da produtividade e não apenas pela redução de despesas.

Pois será como dizem, mas sempre cairá mal a quem a poupa ver como outros esbanjam à tripa forra. A fartura de uns, quando ostentada, é sempre ofensa à pobreza. Aos partidos vão-lhes faltar o argumento da fartura. Como vão convencer a votar na austeridade? Andaram-nos a enganar décadas a fio, dizendo-nos, amanhã será outro dia, e depois, afinal, todas as manhãs eram “manhãs submersas”.

Será que vamos eleger aqueles que nos dizem a verdade, em vez dos que semeiam sonhos e esperanças vãs, quimeras à solta como cavalos sem freio? Se as condições económicas actuais servirem para a campanha sem promessas falaciosas, é caso para dizermos, há males que vêm por bem… Como podemos nós, simples cidadãos, ajudar o país nesta hora difícil, que atravessa? Politicamente, escolhendo um partido que não nos engane com promessas.

Economicamente, preferindo produtos portugueses em detrimento de escolhermos produtos importados. Tão simples como isto. Não podendo esclarecer quotas de importação ao usar de políticas de protecção alfandegária – foram estratégias do passado -, só nos resta, ao comprar, fazermos esta pergunta ao comerciante: tem disto fabricado em Portugal? Por sua vez os industrias nacionais têm de se convencer que os portugueses nunca comprarão por patriotismo, antes se os produtos portugueses forem competitivos em preço e qualidade.

Não interessa se as políticas de salvação nacional deixam de cara zangada interesses de grupos já instalados. Dói perder a teta mas em primeiro lugar estão os interesses de Portugal. Uma coisa é certa, chegou a hora de remarmos todos para o mesmo lado se queremos que o barco se não afunde. E se for ao fundo são sempre os pobres aqueles que mais se afogam!!! Sobram sempre botes de salvação para os outros.




Notícias relacionadas


Scroll Up