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“Pela imprensa estrangeira”

No dia 9 de Janeiro, no final do nosso artigo “Pela Imprensa Estrangeira”, referimos algumas questões apresentadas acerca da existência e essência de Deus, a propósito do terramoto recentemente ocorrido nas terras asiáticas.

N/D
16 Jan 2005

No fundo, o ser humano, desde que começa a pensar, interroga-se sobre tais questões. Aliás este questionar, este interrogar-se, esta busca, esta inquietação é bem patente na expressão de Sto. Agostinho, e sobretudo no contexto em que ela se coloca: “fecisti nos ad Te Deum et inquietum est cor nostrum donec requiescat in Te”.

Na ocorrência de catástrofes semelhantes à de 26 de Dezembro é bem compreensível que estes pensamentos e interrogações surjam no espírito humano. E é também compreensível aquilo que nos relata uma das recentes revistas “TIME”, que dedicou um número especial ao maremoto a que nos reportamos.

Aí se dizia: “a pequena aldeia de Velankani, na costa sudeste da índia foi imaginada para ser um lugar sagrado. Ela atrai peregrinos cristãos para a basílica católica romana que aí existe, bem como hindus e membros de outras religiões, aí procurando bênçãos e boa sorte.

Em Velankani, cristãos, hindus e outros, juntos, rezam pelos seus mortos da última semana e ao mesmo tempo, por todos os que desesperadamente lutam por salvar os vivos”.

O mundo, como a imprensa nos relata, continua com a sua crescente onda de solidariedade, enviada e a enviar através da ONU.

No jornal “El País” de 10 de Janeiro, dizia-se: “A ONU é a única entidade que tem a capacidade, a legitimidade e o mandato para coordenar a todo o mundo neste tipo de grande operação humanitária, conforme refere o actual Coordenador da Ajuda de Emergência das Nações Unidas, o norueguês Jan Egeland”.

Mais adiante diz ainda: “para a reconstrução temos tempo ainda. Mas para fazer frente à fase de emergência é indispensável auxiliar já. Melhor dito, ontem. Os doadores devem explicar-se bem porque temos que saber exactamente que fundos estão dispostos a dar à ONU, às nossas agências e às organizações não governamentais com as quais trabalhamos.

Há que saber se se trata de uma ajuda bilateral ou multilateral. Além disso, temos que clarificar se se trata de créditos ou de dinheiro efectivo”.

Ainda a propósito da ajuda dirigida aos países asiáticos no “Le Monde” de 12 de Janeiro, dizia-se “As Nações Unidas acabam de adoptar novas medidas para melhorar a transparência na utilização do dinheiro entregue em benefício dos países da Ásia atingidos pelo tsunami.

A ONU espera, deste modo, evitar um escândalo financeiro semelhante ao que ocorreu com o programa “Petróleo contra alimentação”. Segundo um inquérito interno, este programa, aplicado ao Iraque antes da queda de Saddam Hussein, deu lugar a irregularidades avaliadas em muitos milhões de dólares”.

A construção ou reconstrução de casas, escolas, estradas, pontes etc. vai levar o seu tempo. E muito mais tempo vai levar a reconstrução dos espíritos daqueles que viram ou sentiram a morte dos seus entes queridos.

O conjunto das crianças que vão crescer com o seu consciente e inconsciente acarretando um enorme pesadelo. “Milhão e meio de meninos e adolescentes que padecem as consequências do sudeste asiático constituem a denominada “geração tsunami”, já que sofrerão durante anos as suas sequelas” (Faro do Vigo, 5 de Janeiro).

A este propósito refere o mesmo jornal que há o “temor que os traficantes de crianças se aproveitem do caos reinante”. Perante o temor de que bandos de traficantes de crianças se aproveitem do caos provocado pelos desastres originados pelo tsunami do passado 26 de Dezembro, autoridades indonésias começaram a aplicar restrições à saída do país de jovens e ordenaram à polícia que dedique especial atenção ao tráfico de crianças.

Também o “Corriere della Sera” de 4 de Janeiro dizia: “O último medo: ladrões de mulheres e meninos. Esta é a denúncia de algumas associações: Violência sexual sobre os sobreviventes em fuga e crianças desaparecidas para o mercado de órgãos”.

A este propósito, isto é, dos raptos, das violações, dos roubos, e tendo como cenário o pós-terramoto de 1755, diz Mário Domingues em “Marquês de Pombal – O homem e a sua época”: “vagueava por entre os escombros uma turba alucinada e sem norte.

Donzelas desaparecidas, crianças perdidas, freiras sem rumo, sofriam violências bestiais da fera humana que acordara em certos homens, horas antes pacíficos. A derrocada das cadeias pusera à solta a pior escória social, que logo iniciou a pilhagem.

Os salteadores, aproveitando a confusão, acabavam de matar os feridos para lhes roubar os valores, rivalizando com os corvos e outras aves de rapina e privavam os cadáveres de tudo quanto lhes despertasse cobiça”.

Deixámos de lado muitos temas que mereciam especial relevo em virtude da importância e consequentes desenvolvimentos que a imprensa lhes dedica.

Entre outros, a imigração e integração, as guerras de África, sobretudo relativamente ao Sudão, República Democrática do Congo, a evolução política na Ucrânia e países vizinhos, (tema longa mente desenvolvido no “Le-Monde Diplomatic” recentemente publicado) a retirada de tropas do Iraque e muitos outros.

Claro que, sem pressa iremos acompanhando estes assuntos. Aliás, há tempos lia no jornal “Público” um artigo no qual, a dada altura, se dizia “first things first”, quer dizer: as primeiras coisas, primeiro; cada coisa por uma vez.

Assim, pelo que se está a verificar e crê que se vai verificar, iremos acompanhar, se Deus e os homens nos permitirem, e se nada de anormal vier a acontecer, dentro das normais previsões, no próximo domingo, três temas: a imigração e a integração, o povo (ou os povos?) de Espanha na sequência do denominado plano Ibarretxe e a importância das recentes eleições na Palestina, para o médio oriente e para o mundo.




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