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Uma sociedade de idosos

A cultura tradicional japonesa é aquela que apresenta pela velhice um grande respeito, mas a sociedade moderna não está preparada para absorver os jubilados, ao mesmo tempo que os filhos têm cada vez mais dificuldade em prestar atenção aos pais idosos.

N/D
15 Jan 2005

É pois necessário criar estruturas que venham colmatar essas falhas.
Como em muitos outros países a média de filhos das mulheres japonesas reduziu-se muito e então começou o recurso a campanhas para aumentar a natalidade. Apesar disso, a população envelhece a um ritmo mais acelerado do que aquele que cresce a natalidade.

A juntar à diminuição da natalidade vem o aumento da esperança de vida – prevê-se que para o ano de 2025 o número de pessoas com mais de 65 anos seja o dobro do actual!

O Ministério da Saúde fez sentir que no início deste século a Segurança Social será gravemente afectada – enquanto que actualmente, para cada 5 trabalhadores no activo há 1 reformado, em 2020 a proporção será de 2 para 1.

Outro problema grave é o da solidão dos idosos. O estilo de vida actual dos jovens colide frontalmente com o da geração anterior. Antigamente um jovem saia à noite depois do jantar e devia estar em casa, no máximo pela meia-noite; actualmente, a meia-noite é a hora em que os jovens saem de casa, para regressar pelas 5 ou 6 da madrugada.

Assim, com este estilo de vida os idosos preferem viver sós, porque as casas são tão pequenas que não permitem a coabitação com os mais novos, com uma certa privacidade.

Um famoso novelista escreveu algures: «Quando eu era pequeno olhava-se para os idosos acamados com temor reverencial. Naqueles tempos acreditávamos na vida eterna (…).

Os idosos eram venerados por ter um pé no outro mundo. Hoje em dia são poucos os que acreditam na vida depois da morte, ou pelo menos vivem como se assim fosse. A velhice é considerada mais como uma aflição do que uma honra. Abandonados e desmoralizados, os nossos idosos temem o crepúsculo da vida».

É cada vez maior o número de hospitais que recusam admitir pessoas por largo tempo, por questões meramente de rentabilidade.

Assim o director de um hospital japonês comentava: «sinto pena dos idosos de hoje, que ajudaram a reconstruir a nação, porque com o actual sistema de seguros médicos não têm para onde ir, quando necessitam de um tratamento prolongado».

Ora uma sociedade de idosos pode conseguir esquemas em que eles possam ser felizes nos seus últimos anos de vida.

Assim, no Japão empresas privadas têm começado a promover serviços destinados a melhorar as condições de vida dos idosos. O seu principal cuidado é ocupar-lhes o muito tempo livre de que dispõem os reformados. Para isso criaram Universidades para a Terceira Idade, organizam viagens culturais, aprendizagem de línguas, etc.

O mesmo está a começar a dar-se por cá. Proliferam as actividades com idosos que ainda têm alguma autonomia e assim vemo-los aderir a passeios e iniciativas culturais com mais entusiasmo que a gente nova.

Os japoneses também estão a elaborar um plano de construção de vivendas especiais com assistência diária de serviços como: refeições próprias para idosos, limpeza da casa e da roupa, cuidados médicos e enfermagem ao domicílio, etc. Felizmente que por cá as coisas estão também a caminhar nesse sentido, só que há um mas…

Muitos dos idosos japoneses da classe média conseguiram aforrar bastante porque auferiam bons salários; entre nós a classe média nunca ganhou bem, nunca pôde amealhar e as pensões de reforma não dão sequer para morrer quanto mais para viver com uma certa dignidade.

Entre nós os idosos ou são muito ricos e podem ter quem os sirva ou recorrem a casas de repouso, melhores que hotéis de cinco estrelas; ou não têm posses e têm que viver com os filhos, com todos os inconvenientes (e algumas vantagens) que isso tem, ou vão para “Lares”, que são autênticas espeluncas onde só procuram sugar-lhes a magra reforma e onde são mal tratados (ressalvo alguma honrosa excepção).

Não quero, porém, deixar os idosos que me lerem com uma visão pessimista, pois não é essa a minha maneira de encarar a vida.

E já agora, acabemos com o termo “idosos” e usemos o termo “menos jovens”; nunca digam que estão “aposentados”, porque aposentado quer dizer “recolher ao aposento”, mas digam “reformados”, porque “reformar” significa tornar a formar, ou seja: formar um novo estilo de vida diferente do anterior, mas muito válido ainda para a sociedade. Basta ver o caso do voluntariado – muito dele é exercido por pessoas reformadas que assim continuam a dar o seu contributo à sociedade.

De lamentar e a precisar de todo o nosso carinho e atenção estão os incapacitados. Só que estes muitas vezes não são só os idosos. Há muitos jovens que, por exemplo, por imprudência a conduzir, ficam amarrados a uma cadeira de rodas.

Esses mais do que ninguém precisam de atenção e ajuda.




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