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O equilíbrio natural…

Os tempos actuais enfrentam um problema sério, ou melhor, confrontam-se com vários problemas: a desvalorização dos valores morais, a degradação do eco-sistema planetário, a laicização fundamentalista e indirecta da religião, a negação da essência humana, o relativismo e o perspectivismo ético, entre outros.

N/D
14 Jan 2005

O homem das diversas sociedades anda absorto com preocupações individualistas, sem saber para onde caminhar, sem descobrir um sistema de referências e uma estrutura de verdades ou de sentido para ele e para aqueles que o circundam e de certa forma o limitam, porque a era “soft” não admite limites: viva o poder ilimitado do homem, abaixo os fundamentos éticos e religiosos que regulam a vida de todo o ser humano!
Eis o veredicto de alguns intelectuais e governantes “modernizados”.

Será possível a coexistência de um mundo melhor sem uma consciência religiosa, sem um elo de ligação a algo de divino e transcendente? Será assim tão possível banir Deus do mundo, da criação, da sociedade, da cultura? Até que ponto as palavras e determinadas frases o poderão atirar para a sepultura?

Ora, as palavras humanas, que são finitas, nunca poderão exprimir verdadeiramente aquilo com que designamos Deus.

Ataca-se a religião e Deus porque estes são considerados perigosos, pois os homens até matam em nome de Deus!, dizem eles. Ora, o problema não está em Deus, nem na religião, nem nas pessoas que possuem crenças, o erro está numa libero-idolatria auto-suficiente e auto-gestora, em que o homem joga o outro homem como se um extraterrestre parecesse.

E se está na crença, é na sua perversão fundamentalista, e não na crença como tal.

Alguns dirigentes mundiais, em nome da paz e tranquilidade mundial, servem-se pura e simplesmente de Deus (como se de um objecto se tratasse) para astuciosamente empreender a realização dos seus intentos maléficos e abomináveis.

O homem tenta atirar Deus para o caos, tenta culpar Deus por causa do desnorte do mundo, todavia o homem não se dá conta que é um ser finito, tem um fim e a todo tempo responderá pela traição que empreendeu contra Deus e, por acréscimo, contra a humanidade.

Contudo, há os homens que procuram caminhar, respeitando a ordem natural das coisas; isto é, apesar de duvidar, o ser humano reflecte o sentido da sua existência, a sua identidade e aquilo que há para além dele e da existência do mundo.

Este tipo de homem procura em última análise um encontro próximo e íntimo entre ele e Deus. Por isso, o homem não perde a responsabilidade perante si mesmo, o mundo e Deus, respeitando dignamente a sua própria liberdade. O substrato que assiste a todo o homem (crente ou não crente) é o da fé, o de acreditar em algo, mesmo que não ponha conscientemente o problema em questão.

Todo o homem se interroga sobre como é possível que Deus deixe acontecer determinadas coisas, mas ninguém reflecte porque é que o homem, criatura livre de Deus, quis agir assim e se não teria outras opções, ou então, o outro ser humano não foi capaz de olhá-lo no rosto (porque perdido nos afazeres individuais e solitários) e trazê-lo à luz do dia.

Se por um lado, em certos momentos da vida, queremos que Deus nos determine em absoluto, por outro queremos ou forçamos o esquecimento de Deus, vivendo a vida por meio de setas e sinais decapitantes da nossa existência e, por que não, da própria essência?

Cabe ao homem encontrar-se a si mesmo, reflectir os fundamentos da humanidade e depois completar, fazendo o que lhe compete, a obra da criação, pois, sem o empenho e a responsabilidade do homem, ela estará sempre inacabada.

É preciso que o ser humano deixe os confrontos egoístas, que são o suicídio da razoabilidade e passe a dialogar com o outro irmão ser humano, aderindo ao equilíbrio natural das coisas.

É este respeito pelo equilíbrio da natureza que a sociedade marca os passos da sua respiração e da tão desejada paz social, levando-a a dizer: viva Deus!

Viva o homem e a humanidade!




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