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Chover no molhado(54)

Rasguem-se os véus da ignorância ou do oportunismo que desfavorecem e condicionam a entrada da luz irradiante do Espírito do Bem em nossas vidas

N/D
14 Jan 2005

Todo e qualquer sistema filosófico se prostra, venera e ajoelha diante da excelência do Espírito Existencial, que é o Espírito do Bem.

Este espírito é o mais adequado instrumento de que a pessoa se pode servir para estabelecer e restabelecer relações e conexões, mais e cada vez mais ajustadas, consigo mesma, com o outro, com o mundo e com Deus.

É o instrumento de todo e qualquer progresso e a sede da Esperança e do Optimismo. É o instrumento de avaliação mais correcto, mais justo. É o veio por onde corre o jorrante dinamismo da nossa vida, que fertiliza a nossa existência.

À matéria, ao corpo, ao organismo, ao cérebro, à mente, chama-lhe ele Espírito do Bem, o seu sustentáculo. E ao espírito chama-lhe o sustentáculo da sua matéria.

Este Espírito do Bem é semelhante à voadora águia que, com as asas bem espalmadas, plana e sobrevoa as escalvadas e íngremes elevações das mais altas serras das mentes humanas, descendo vertiginosamente, com mergulhos do bico adunco, para os vales amenos de águas temperadas e correntes do afectivo ribeiro humano.

É este o espírito que nada marginaliza e a nada se fecha. Não aceita as resistências. Despreza as humilhações. Dissolve as desarmonias. É este o espírito que controla e harmoniza, entre si, as forças dos contrários.

Objectivamente falando, o espírito existencial, Espírito do Bem, é esta força vital saída da unidade e esta dos entrelaçados ramos do pensamento e acção, cujo tronco comum é o nosso ser real, profundo e concreto, o qual ergue a sua morada na vizinhança do Ser Divino, em desejosos arroubos de contemplação.

Vou fazer sair da boca do Espírito do Bem a mesma interrogação com que Cristo interpelou Paulo: – Filósofos, filósofos, porque me perseguis?!

Em traços largos e passageiros, vou começar pela Filosofia Perene. Esta canta as glórias do espírito, mas sempre em detrimento da matéria do nosso corpo, do nosso organismo, do Mundo. Apreende o espírito na sua máxima abertura ao Divino mas bloqueia-o de resistências impeditivas à entrada da matéria e do nosso corpo.

É, numa palavra, um tecido de elogios ao espírito mas, para seu mal, excluindo a matéria. Bebe pelo copo da alienação.

E como se comporta a Filosofia Materialista? Exalta, desesperadamente, a bondade da natureza, da matéria, do organismo, em chocantes desabonos aos atributos do espírito.

A matéria é, agora, apreendida na sua máxima e elogiosa abertura ao corpo, ao organismo, ao Mundo, mas saturada de resistências, que afastam a entrada do Divino. É, assim, uma elogiosa e desenfreada aclamação dos dotes da matéria mas agora, por isso mesmo, caída no poço da alienação.

Que reacção pode despertar em nós o imenso vazio, alienado e alienante, entre o Divino e o Humano, que a Ciência Moderna instaurou?

E o Positivismo, que delira ao fechar a abertura e o diálogo ao Transcendente? Não é também aliado e alienante?

E que dizer do reducionismo, que caracteriza o Pensamento Contemporâneo?
Podem estas filosofias reivindicadoras e alienadas viver em unidade saudável e forte?
Pois bem, têm sido estas as filosofias que, dominantemente, traçaram, em larga escala, o sentido das nossas vidas.

Rasguem-se, então, os véus da ignorância ou do oportunismo que desfavorecem e condicionam a entrada da luz irradiante do Espírito do Bem em nossas vidas.




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