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Razões de uma candidatura

Fui convidado pelo Partido da Nova Democracia (PND) para encabeçar, como independente, a lista de candidatos a deputados pelo Círculo Eleitoral de Braga.

N/D
13 Jan 2005

Afastado que estava da actividade político-partidária havia já cinco anos e achando-me desfiliado há cerca de três anos do Partido no qual militei durante quase duas décadas, por razões que, na altura, tornei públicas nas colunas deste jornal, confesso que o meu primeiro impulso foi rejeitar o convite.

Afinal, havia abandonado a política activa desencantado com o sistema e profundamente descrente da democraticidade interna no funcionamento da vida do meu partido, não sendo, por ora, visíveis no horizonte sinais inequívocos de qualquer mudança substancial daquele sistema e das regras e praxes partidárias.

Porém, ponderando melhor e mais longamente sobre a séria crise económico-financeira, social e política que afecta o nosso país, acabei por alterar a minha disposição inicial.

E isso porque, apesar de continuar a acompanhar de perto as coisas da vida pública e a exercitar regularmente a minha cidadania através da opinião escrita e falada, achei que não serviria convenientemente a minha região e a minha pátria se, passivamente, como muitos preconizam, estivesse à espera que o país batesse no fundo e só depois aparecesse a oferecer os meus serviços em prol do bem comum.

É que nada me garante que, então, não fosse já tarde de mais e que, entretanto, por demissão ou egoísmo de muitos, fossem ganhando terreno soluções providenciais ou derivas totalitárias.

Ora, quem como eu sempre prezou a liberdade e fez questão de fazer pedagogia democrática não podia ficar de braços cruzados, sobretudo quando lhe estava sendo oferecida a rara oportunidade de, com independência, defender as ideias, princípios e valores que ao longo da sua vida sempre defendeu.

Com a vantagem inegável de o poder fazer através de um partido com o qual mantém muitas afinidades ideológicas e programáticas e que é dirigido por pessoas de carácter e que da política têm também a noção de nobre arte de servir os outros, com humildade.

Efectivamente, jamais aceitaria colaborar com quaisquer forças partidárias próximas da minha área política que mantenham na sua liderança quem, acima de tudo, coloque os seus interesses particulares, as suas vaidades e os seus egoísmos, na mira de se perpetuar no poder a qualquer preço, explorando pela demagogia e pelo populismo a ignorância ou a ingenuidade alheias.

Assim, irmanado com a Nova Democracia na defesa de um conceito estratégico nacional – que, entre outras coisas, coloca Portugal no centro do Mundo, como ponte entre a Europa e o Atlântico, defende o mar como a nossa grande utopia e conquista maior, busca a salvaguarda e difusão da língua portuguesa na afirmação da lusofonia e propugna a garantia de uma reserva de soberania constitucional da Nação -, na libertação da sociedade civil do peso excessivo do Estado-Providência, segundo o princípio da subsidariedade que confere à iniciativa privada o poder-dever de prestar serviços públicos, e na necessidade de rotura com o sistema político vigente, designadamente por via da regra de limitação de mandatos, criação de círculos uninominais e admissibilidade de candidaturas independentes para as eleições legislativas, sinto partilhar com aquele partido uma base comum mínima de ideias que me dão a garantia de poder desempenhar, com responsabilidade e independência, as funções de deputado, se, para tanto, merecer a confiança dos eleitores.

Nesse pressuposto, posso garantir que todos os candidatos que integram a lista de que sou cabeça defenderão intransigentemente o valor da vida humana, opondo-se à legalização do aborto, da eutanásia e de outras práticas eugénicas, tal como a manipulação de embriões.

Como cristãos, entendemos que a vida não pertence aos políticos: a estes cabe apenas protegê-la por todos os meios ao seu alcance.

Por outro lado, seremos estrénuos defensores da família heterossexual monogâmica, apoiando efectivamente, através de adequadas políticas sociais e fiscais, quem decidir casar, ter filhos e cuidar dos idosos.

E recusando, frontalmente, a aprovação de medidas legislativas que visem equiparar totalmente o matrimónio às uniões de facto, admitir o instituto do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou, ainda, possibilitar a adopção de crianças por homossexuais.

Mais garantiremos que, no respeito da laicidade do Estado e da liberdade religiosa, tudo faremos para que as escolas (públicas ou privadas) garantam a formação religiosa e moral dos alunos, sem a qual a personalidade destes ficará amputada de uma das suas dimensões essenciais – a espiritual.

Pessoalmente, defenderei, ainda, a concretização da regionalização político-administrativa prevista na Constituição da República, no pressuposto de que só a descentralização deste tipo permitirá a correcção das assimetrias regionais e o exercício de uma integral liberdade e cidadania.

Eis, em suma, caros leitores, as principais razões por que aceitei candidatar-me.




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