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As listas dos candidatos

O cidadão menos atento pode andar convencido de que em 20 de Fevereiro vai eleger as pessoas que quer que o representem na Assembleia da República.

N/D
13 Jan 2005

Puro engano. A escolha já está feita por outros – pelos responsáveis partidários – sem que, para tal, o cidadão comum tenha sido ouvido nem achado.

Não é essa a escolha que tem estado a ser feita por quem tem andado a elaborar as listas dos candidatos a apresentar ao eleitorado? Não é essa a escolha que tem sido feita por quem coloca um conjunto de candidatos nos que considera serem lugares elegíveis?

O que o cidadão comum vai fazer, em 20 de Fevereiro, é confirmar a escolha que outros fizeram, em reuniões a que não teve acesso e para que não foi consultado.

O que o cidadão comum vai fazer em 20 de Fevereiro é colocar com o seu voto, na Assembleia da República, os que outros pretendem que coloque. Mais nada.
Dizem que quem manda é o povo, mas a verdade é que o povo manda apenas onde e até onde o deixam mandar.

É muito possível que, quem acompanhou o que se foi noticiando acerca da elaboração das listas, conclua haver um grupo restrito de pessoas a quem é preciso dar um assento na Assembleia da República.

Por isso se distribuem essas mesmas pessoas pelos que se considera serem os lugares elegíveis nos diversos círculos eleitorais.

Porquê aquelas pessoas e não outras?
Quem souber que responda.

Pelo que tem vindo a público, na sua globalidade a generalidade das listas não irá apresentar, nos lugares elegíveis, grandes mudanças. Há nomes que, neste ou noutro círculo, conforme as conveniências, se repetem, eleição a eleição. Até parece haver pessoas que têm lugar cativo no Parlamento.

A rotatividade, que afirmam ser uma das características da democracia, nem sempre se verifica. Será que com as mesmas cartas vamos assistir a um jogo diferente?

As pessoas seleccionadas são, de facto, nas actuais circunstâncias, as mais disponíveis, as mais competentes, as mais dedicadas?

Aguardemos para ver.

E como se entende isso de uma pessoa, que está a exercer funções para que livremente se candidatou, se apresentar a eleições sem que o mandato para que fora eleita haja terminado?

Não seria mais lógico aguardar que termine esse mandato?
Pensemos no nosso círculo eleitoral de Braga. Porque é que integram as listas, por este círculo, pessoas que nada têm a ver com ele? É necessário isso? Não haverá, no conjunto de cidadãos que neste círculo vivem ou que neste círculo nasceram e a ele se mantêm ligados, pessoas capazes de integrarem as mesmas listas?

A vinda de pessoas de fora, cujo valor não está em causa, não poderá ser interpretada como um atestado de menos capacidade aos milhares de cidadãos que aqui vivem?

Os deputados eleitos pelo círculo de Braga quem vão representar no Parlamento: os cidadãos que os elegeram ou os partidos cujos responsáveis os colocaram nas listas em lugares elegíveis?

Vão defender os interesses dos cidadãos eleitores ou os dos partidos que contribuíram para que tivessem assento na Assembleia da República?

Fala-se com frequência na reforma do nosso sistema político. Não será mais que oportuno meter corajosamente mãos à obra, a fim de que perguntas como as que, penso que muito legitimamente, formulei deixem de ter razão de ser?




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