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A corrida para o poder

Ultimam-se os preparativos, estudam-se estratégias, calendariza-se um programa de estrada, com comícios, debates, aproximação à população com palavras de ordem que visam motivar o cidadão à participação, adesão e voto. Tudo a bem do povo que, como sempre, vai aguardar, meditar e votar, para depois esperar que algo melhore. É tempo de esperança.

N/D
13 Jan 2005

Tem sido assim nos últimos trinta anos e, talvez por isso, o cidadão não parece muito eufórico; pelo contrário algum descrédito dos políticos e todo um adiar de soluções levam à desmotivação ou desinteresse pelo acto eleitoral que se aproxima.
Os apelos ao voto vão surgir de todos os quadrantes políticos, à mistura com o mal dizer dos que teimosamente se preocupam mais em criticar os outros, em vez de esclarecer e criar uma atitude construtiva e realista face à situação do país, apresentando possíveis soluções, tão necessárias para relançar a esperança, criando solidez económica e relançando o país nos diversos sectores de desenvolvimento.

O país precisa de ideias e projectos que respondam às necessidades e dispensa promessas eleitorais, quando elas visem apenas o voto útil. É tempo de os políticos demonstrarem também eles maturidade e capacidade em transmitir confiança ao cidadão mais descrente, aos críticos que sempre surgem insatisfeitos, mas e especialmente ao cidadão eleitor que pensa em abster-se.

Bom seria que, na corrida ao poder, os políticos se lembrassem apenas do objectivo principal do seu acto: servir o povo, trabalhar para o seu bem estar, lutar contra o desemprego, a fome ou miséria, colocar o cidadão como destinatário das suas decisões.

Por vezes parece falar-se demasiado na política internacional e a imagem perante os outros, e assim vamos esquecendo ou adiando os problemas que em casa aguardam decisões. As dificuldades com que o cidadão se debate a nível de saúde, educação, emprego, segurança social, burocracia e lentidão no desenvolvimento de despachos administrativos, a falta de celeridade em determinadas áreas são também aspectos relevantes na desmotivação de quem espera do Estado uma resposta em tempo útil para os seus problemas.

A corrida para o poder não deve consistir no lançamento de novas personalidades para lugares de destaque ou na procura de novas tarefas, que dizem ter por objectivo servir o país… mas depois nada resolvem. A atitude e vontade política não devem limitar-se ao tempo de campanha eleitoral; exige-se que se prolongue ao período de mandato, procurando dar respostas às carências sociais, aos problemas do país, com as prioridades adequadas às situações e objectivos.

A corrida para o poder terá de rever todos os patamares de um edifício com um telhado novo ou em bom estado, mas com andares vazios e com alicerces em mau estado. É demasiado grande o espaço entre o cimo da pirâmide e a base, correndo-se o risco de tal vazio se reflectir num desaparecimento progressivo da chamada classe média, ficando apenas nos extremos os ricos e os muitos pobres.

Aos políticos compete agora prometer e convencer; ao cidadão eleitor, analisar, reflectir e escolher… Antes da chegada ao poder, convençam-nos dos vossos projectos, falando a verdade, sem recurso à maledicência ou ataques pessoais.

É tempo de pensar o futuro, resolvendo os problemas e a crise do país.




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