Fotografia:
Os tapetes persas

Lembrei-me estes dias de um caso que, entre gargalhadas, me contaram há meia dúzia de anos: um vendedor de tapetes apareceu à porta de uma série de pessoas, afirmando-se um negociante que acabava de participar num grande certame do sector, realizado em Lisboa.

N/D
12 Jan 2005

A feira – contava ele – não lhe correu tão bem como sonhara; e agora ali estava a vender, ao preço da chuva, autênticas pechinchas persas. Sempre era algum que entrava no bolso, pois não lhe compensava voltar a pagar o transporte de todo o material para regressar à terra.
Ouvindo falar em tapetes persas àquele preço, os contactados mal abriram os olhos: compraram mais que o preciso, porque ocasiões daquelas…

Os leitores já imaginam o que aconteceu: depressa verificaram que o produto era, afinal, um rascunho marroquino e, por isso, que o barato tinha sido bastante caro. E, vai daí, alguns decidiram apresentar queixa à polícia.

O guarda de serviço ouviu os pormenores da situação. Depois, com o ar de gozo de quem já ouvira mais casos do género, disse aos queixosos:

– Tá bem; querem queixar–se, queixem-se. Mas, cá para mim, os senhores também não foram lá grandes pessoas… Então não é que se aproveitaram, até mais não poderem, dos problemas do vendedor?…

Lembrei-me deste caso, ao constatar como reagem algumas pessoas que aparecem a reclamar um tratamento privilegiado, porque, enfim, a sua instituição, a sua família, o seu serviço, e mais isto e mais aquilo…

Se, em nome da boa ética, não são atendidas, logo disparam que não se gosta delas, que se está feito com A, B ou C ou com todos ao mesmo tempo.

Será que nunca se lembram de que foi, precisamente, a sua desonestidade que não foi ouvida?




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