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O fado caloteiro

As finanças do país andam mal. Todos o sabem. Já não é novidade para ninguém. Talvez por causa disso – o andar mal que todos sabem – há um ministro que se lembrou – imagine-se a ousadia – de dizer que os senhores do futebol devem muitos milhões ao fisco, e que, agora, toca a pagar.

N/D
11 Jan 2005

O ministro, que parece ser homem de contas, até disse bem. Quem deve, se for pessoa honrada, paga. Se não o for, não paga.
E todos nós – pessoas sérias – vamos pagando mês a mês, ano a ano, os nossos impostos. E quem não paga, por não querer, ou não poder, tem logo o fisco à porta e não tarda a ficar em maus lençóis. A prová-lo estão as dezenas de anúncios que todos os dias enchem os jornais a publicitar a venda de bens, as hipotecas e outras coisas parecidas.

E esses anúncios respeitam a bens móveis e imóveis, pertença de caloteiros, que tanto são pessoas singulares, vulgares cidadãos, como empresários bem conhecidos na praça, pertencentes às mais respeitáveis classes sociais.

Mas há anos a esta parte os homens dos futebóis não pagam. E depois de não pagar, ainda cantam:

– Não pagamos! Não pagamos!…

E é que não pagam mesmo! E contestam isto e aquilo e vão sempre cantando:

– Não pagamos! Não pagamos!…

E a bola, não a do jogo, mas a das dívidas, anda de um lado para o outro sempre a rolar, e a crescer – como bola de neve – mas entrar na baliza do fisco lá isso é que não entra. Ou passa ao lado, ou salta para fora do campo.

E entretanto eles vão cantando:

– Não pagamos! Não pagamos!…

E anda-se nisto há tanto tempo, a ouvir sempre o mesmo triste fado!

Já com os ouvidos enjoados da triste música, cabe-nos ao menos perguntar:

– Até quando durará esta pouca vergonha? Até quando faltará a quem nos governa a coragem para calar esta música, dando aos caloteiros do futebol um tratamento igual ao que é dado a cada um de nós?




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