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Circo de feras

Nesta fase pré-eleitoral cabe aqui analisar a situação política nacional para entendermos em que pé vão partir os respectivos partidos políticos para estas eleições legislativas.

N/D
11 Jan 2005

Temos Sócrates, Santana, Portas, Jerónimo e Louçã. Estes são os principais rostos daquelas que serão, provavelmente, as eleições nacionais com resultados menos previsíveis.
O ex-Ministro do Ambiente pode contar com a artilharia pesada do PS, nomeadamente com o próprio António Vitorino que estará encarregue de elaborar o Programa de Governo que os rosas vão apresentar aos Portugueses.

No que se refere aos candidatos, de realçar dois aspectos concretos, um pela singularidade da situação, outro pelo facto de se tratar do nosso distrito, ou seja, Braga.

O primeiro caso será o de Matilde Sousa Franco que se candidata pelo círculo eleitoral de Coimbra. O nome desta ilustre candidata diz-nos de facto muito, não fosse viúva de um enorme vulto da sociedade portuguesa e também um dos mais significativos militantes do PS que, infelizmente, protagonizou o mais trágico momento que se viveu em Portugal durante uma campanha eleitoral.

Tudo isto é mais que suficiente para reconhecermos a pessoa em si e a identificarmos de imediato. O que não me parece tão claro é a escolha de uma figura que não tem uma ligação verdadeira à política. Situação estranha e que me parece de um voraz aproveitamento político de um caso que não deveria ser misturado com o combate eleitoral.

No que diz respeito a conteúdo e mensagem política, Sócrates tem dado tiros no pé mais flagrantes do que aquela declaração de Bernardino Soares (líder parlamentar do PCP) que dizia desconhecer que houvessem presos políticos em Cuba.

António José Seguro descreve- se numa frase: é um outsider que nada tem a ver com o distrito de Braga, com quem as populações do Minho não se identificam e não passa de uma manobra política típica de quem quer ganhar eleições, dê por onde der.

Santana Lopes é o homem dos casos e das “facadas”. Se traição “matasse”, o PSD já tinha “enterrado” o seu líder.

Casos são aos magotes e se há defeito que podem apontar ao Primeiro-Ministro demissionário é a de ser anjinho.

Pôncio Monteiro é uma figura bem conhecida dos portugueses e a sua postura é sempre idêntica: gosta de aparecer seja por que for. Não pode ser muito sério, porque as condições de aceitação da candidatura devem ser colocadas antes de se aceitar ser candidato e é bastante óbvio que o PSD iria rentabilizar um dos seus melhores homens que, por sinal, até é Presidente da Câmara Municipal do Porto.

No que se refere ao candidato por Braga, podemos considerar que, apesar de ser um destacado elemento do partido, a única afinidade que parece ter com o distrito é o facto de ser um Presidente de uma Câmara que pertence ao distrito vizinho.

Os restantes partidos parecem ser os mais “calminhos”, no que diz respeito à formulação das listas de candidatos à Assembleia da República.

Jerónimo de Sousa parte para umas eleições com a fraqueza de quem ainda não “aqueceu” o lugar de líder do partido, mas também tem a vantagem de saber que mais coisa, menos coisa, o número de votos da CDU, não oscila muito, pelo que a candidatura não é nada de espectacularmente arriscada.

Por Braga vai o mesmo cabeça de lista que é uma pessoa do distrito para tentar reeleger deputados pelo círculo eleitoral bracarense. De resto o discurso será provavelmente o mesmo e os votos serão também os mesmos, pois há vinte anos que não há nada de novo e ser comunista é quase como uma herança… vai passando de gerações em gerações, ou seja, está sempre no mesmo patamar: “nem anda nem desanda”.

O CDS/PP parece ser o partido mais maduro que se apresenta a estas eleições. Teve as sua “tricas” na formulação das listas, mas mantém a postura de serenidade, confiança e fiabilidade que pautaram a sua actuação enquanto partido de governo.

Tem obra feita, reformas importantes implementadas e promessas cumpridas, o que o coloca na posição de partido de confiança e absolutamente transparente. Se houve partido que ao longo destes anos de governo de coligação mostrou estar à altura das suas responsabilidades, que apresentou soluções para o país nas áreas por si tuteladas, foi o CDS/PP.

Como medida de referência podemos comparar a actuação do ministro Luís Nobre Guedes em quatro meses com a pasta do Ambiente, com a de José Sócrates em cinco anos. Em vectores fundamentais do aparelho de Estado, como as Finanças ou a Segurança Social, podemos verificar que o CDS/PP esteve sempre à altura da responsabilidade que assumiu para com os portugueses.

Uma das maiores manifestações políticas de sempre e, seguramente, a maior dos últimos anos aconteceu a nove de Janeiro de 2005, em Sta. Maria da Feira, onde mais de 5000 militantes e simpatizantes do partido se juntaram para dar o mote de saída para a campanha eleitoral das Legislativas de 20 de Fevereiro. Foi com esta brutal demonstração de força que Portas mostrou ter um projecto para Portugal.

No que diz respeito aos candidatos, verificaram-se alguns fenómenos migratórios mas, na sua maioria, de pessoas que já haviam encabeçado listas por aqueles distritos.

No caso de Braga temos um cabeça de lista do Distrito, com provas dadas na Assembleia da República, que é já reincidente na liderança dos candidatos a deputados pelo círculo eleitoral e com quem certamente as populações se identificarão.

O Bloco de Esquerda apresenta-se com o objectivo de dobrar o número de deputados, o que garantiria mais umas horas de pura comédia na Assembleia da República.

Como costumo dizer, não obriguem jamais o bloco a implementar as suas políticas, porque nem o próprio Louça saberia como o fazer, dada a inexequibilidade das mesmas.

A campanha deste partido contará sempre com a mesma ladainha e os mesmos excessos com que tentam cativar os portugueses. Estou certo que poucos irão na conversa.

Está assim traçado o rascunho daquilo que entendo ser o mais importante, hoje, em cada um dos partidos mais importantes que se apresentam a eleições.

Resta esperar que, para o bem da democracia, o debate eleitoral decorra com elevação, com apresentação de ideias concretas para o país, dando assim oportunidade aos portugueses de votarem as políticas que entenderem mais adequadas, criando-se assim um círculo de confiança entre eleitores e eleitos.

Não posso deixar de desejar também que nesta campanha não surjam mais devaneios presidenciais, para que a já debilitada instituição personalizada em Jorge Sampaio seja uma referência mínima de vivência em democracia e respeito pelas instituições.




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