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Padres na política: sim, não ou talvez?

É muito habitual ouvir-se entre o impropério e a denúncia: «os padres não devem meter-se na política»!

N/D
10 Jan 2005

Tal “reflexão” surge tanto da mente de responsáveis eclesiais, como nos desejos de certos profissionais da vida pública/partidária, sejam autarcas, funcionários estatais ou quantos vão fazendo do funcionalismo público seu modo de vida… e carreira.
De facto, aquela frase como que pretende evitar, numa primeira impressão, que se confundam tarefas: as do mundo do espírito, da espiritualidade e metafísicas e as das coisas mais terrenas, materiais e mundanas.

Ora quando a Igreja – e o padre em particular – se pronuncia (directa ou indirectamente) sobre temas de índole social, em favor dos outros, motivando a resolução de injustiças, de problemas familiares, sectoriais ou das populações… isso não será intervenção política?

Esta, enquanto construção na e da cidade, não pode ser afunilada às meras perspectivas partidárias – que por serem informadas (normalmente) por ideologias tendem a dar visões parciais e não tão abrangentes – onde, muitas vezes, nem sempre se nota distanciamento capaz e objectividade coerente.

De verdade a Igreja – e o padre em particular – poderá, e por certo deverá, não se imiscuir nas lides partidárias, mesmo que tenha de dialogar, de discutir ou de se confrontar com intervenientes autárquicos – eleitos esses sim por listas partidárias – ou com decisores do governo central… sempre em ordem a encontrar o melhor para as populações.

Se as autoridades civis precisam de votos para a legitimação das decisões – inseridos que estamos no quadro da democracia -, a Igreja talvez necessite de gerar fiéis devotos, sem os reduzir à categoria de rebanho inconscientemente acrítico!

Quantas vezes o papel da Igreja – e do padre em particular – funciona (ou deverá funcionar) mais do que o de uma simples decoração moral em horas de aflição! Como cidadão não terá o padre o direito e/ou obrigação de se pronunciar sobre muitos dos assuntos da vida social, sabendo que não se deve aproveitar do espaço litúrgico e da função que exerce?

Será que ocupar-se das tarefas de dignificação das pessoas, seja qual for a necessidade ou a ocorrência em análise, não é acção política? Será que cuidar dos mais pobres – sejam-no de forma material, psicológica, espiritual ou moral: os tais que (às vezes) rendem votos em eleições – da sociedade sem distinguir a filiação partidária, a crença ou o clube desportivo, não é fazer política?

Será que pregar o respeito pelos bens alheios – até mesmo os de natureza pública, estatal ou camarária – em ordem à harmonia social, económica ou laboral, não reveste a importância de função política?

Com efeito, houve erros de algum caciquismo eclesiástico, branqueando certos regimes e servindo de cobertura a acções de menor respeito pela vontade popular.

Mas está na hora de ultrapassar outrossim complexos anti-católicos – e em relação aos padres de forma especial – sabendo distinguir quantos caminhos de humanismo que só se compreendem pela capacidade de perceber o compromisso político mais genuíno da Igreja e dos seus ministros em favor da Nação… portuguesa.

Afinal, quem tem medo da intervenção dos padres na política: os bons ou os maus profissionais da dita?

O caminho de Deus – como diz o Papa João Paulo II – passa pelo compromisso na construção dos caminhos dos homens!

Urge dar espaço, empenhar-se na vida pública, valorizando os melhores e levando-os a estar ao serviço de todos… e quanto mais depressa melhor!




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