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Admirável mundo de diversidade

Rejeitamos os outros, talvez porque numa parte recôndita de nós nos rejeitamos também…

N/D
10 Jan 2005

Sempre achei o mundo um lugar de diversidade absolutamente fascinante.
Em geral, todos temos mais ou menos dificuldade em lidar com a diversidade, seja por insegurança, preconceito ou ignorância. Em resumo: por medo. Se acreditarmos que só existem dois sentimentos, mutuamente exclusivos, o medo e o amor. Todos os outros derivam destes.

A ser verdade esta premissa, e quando se escolhe o medo, o caminho é inevitavelmente acidentado e penoso.

É próprio da natureza humana agrupar tudo e todos em padrões previamente definidos, mas nunca isentos de erro, arrumando as coisas em gavetas estanques e devidamente rotuladas.

Supõe-se que esta arrumação é geradora de segurança, bem como de uma certa organização e uniformização necessárias à funcionalidade do mundo.

O problema surge depois, quando nos deparamos com algo estranho ainda não catalogado, e não sabemos onde o encaixar, por sair dos parâmetros ditos “normais”. Aí, surgem as opiniões, os juízos de valor tal como o bom e o mau, os preconceitos e, por fim, a intolerância.

E são os fundamentos da intolerância que, nos dias que correm, mais nos devem fazer reflectir e questionar.

Por que razão seremos tão preconceituosos e intolerantes? Já alguém fez esta questão a si próprio, aprofundando todos os argumentos, de boa fé na resposta?…

Por alguma razão, porventura ainda não descoberta, o mundo que conhecemos é um lugar de infinita diversidade. Por isso mesmo, acredito que tudo o que existe à face da terra merece igualmente o mesmo respeito e compreensão.

Mas sabemos bem que não é assim. A tendência, quase irracional e ilógica, é radicalizar tudo em opostos, a partir do conceito de bom e mau, abrindo assim uma frente de batalha, em vez de aproveitar a diversidade para aprender o novo e misturar diferenças, potenciando efeitos mais desejáveis, como sejam a coexistência pacífica, o equilíbrio e o bem-estar comum.

À primeira impressão, pode perguntar-se: o que é que tudo isto tem a ver com auto-estima? Mas tem. Pelo menos eu creio que tem.

Se eu não for capaz de gostar de mim, aceitando tudo o que é bom e menos bom, nunca serei capaz de aceitar o outro. Posso tentar, posso fingir, posso enganar toda a gente, mas mais cedo ou mais tarde, esta dificuldade de me aceitar como sou, vai reflectir-se na minha relação com o mundo e a sua infinita rede de relações e diversidade.

Mantenho e reafirmo a minha convicção relativamente à consciencialização como meio de alcançar o equilíbrio que conduz à paz.

Sem uma consciência muito forte de quem somos e posteriormente, um trabalho constante e diário de aceitação que nos leve a gostar de nós próprios, incondicionalmente, as nossas relações com o mundo ficam viciadas e adulteradas, criando-se uma enorme teia de interacções falsas, por trás das quais nos escondemos emitindo permanentemente juízos de valor deturpados sobre os outros.

Mas ninguém emite juízos de valor sobre os outros sem que o tenha feito primeiro consigo próprio.

E estes juízos de que falo, são os pensamentos negativos, e não conscientes na maioria das vezes, que temos a nosso respeito.

Rejeitamos os outros, talvez porque numa parte recôndita de nós nos rejeitamos também…

Diz-se, porventura com razão, que se cada um de nós tem o problema, tem também os meios para encontrar a solução. Procurar em nós a solução é pois a parte que nos cabe. E esta é sem dúvida a parte mais importante. Depois, o universo se encarregará de estabelecer as ligações necessárias para que tudo se equilibre.

Ninguém nos pede mais do que simplesmente gostarmos de nós pró-prios sem reservas. Tão simples e tão complicado!

Não vale a pena aspirarmos a ser todos iguais porque nunca o seremos (e que mundo monótono seria!). Ninguém é melhor ou pior que ninguém. Somos simplesmente diferentes. E precisamos acreditar, compreendendo, que esta diferença é a nossa maior riqueza.

Quando conseguirmos integrar esta ideia, isso significará que fizemos a escolha do amor.

Não estamos sós e separados dos outros – completamo-nos. E completando-nos, seremos capazes de ser melhores e realizar maiores proezas.

Neste caminho em direcção à auto-estima, é fundamental aprender a apreciar e valorizar aquilo que nos diferencia dos outros.

Não será razão bastante para ficarmos deslumbrados, constatar que temos características únicas que mais ninguém possui? Este é o primeiro passo para a auto-estima – gostarmos de nós tal qual somos, tirando partido dos aspectos que nos individualizam e fazem a diferença.

Por outro lado, é preciso reconhecer naturalmente que: Ninguém “rouba” a nossa identidade de ser humano; nenhum êxito individual é mais importante e satisfatório do que um êxito colectivo e ainda que partilhar as diferenças individuais condiciona forte e positivamente a solução para o todo.

Cada passo tem o seu tempo de aprendizagem. Cada pessoa tem o seu ritmo. A auto-estima constrói-se, no dia a dia, a partir de dentro. Mas só existe uma ferramenta – a consciencialização.

Rejeitemos o medo. Escolhamos o amor.




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