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As quatro velas

Às vezes, tenho a impressão que os tempos de hoje não sabem apreciar o silêncio, têm dificuldade de apreciar a poesia da beleza e a música silenciosa do amor, a música do coração. Tudo hoje é feito a correr, aos berros. Até a dita música moderna é aos berros e em ritmo agitado

N/D
8 Jan 2005

Enviaram-me, ontem, por correio electrónico, uma história (e mensagem) tão simples e tão encantadora que eu não resisto a partilhá-la consigo, caro leitor. Não se vai cansar a lê-la, porque é muito pequena. Diz assim:
“Quatro velas estavam calmamente acesas e o ambiente era tão silencioso que até se podia ouvir o diálogo entre elas.

A primeira vela apresentou-se e disse:

– Eu sou a PAZ! Apesar da minha luz, as pessoas não conseguem manter-me acesa. E, dito isto, a sua chama foi diminuindo, diminuindo… e lentamente se apagou.
A segunda vela disse:

– Eu sou a FÉ! Infelizmente, parece que sou supérflua para as pessoas. Como elas não querem saber de Deus, não faz sentido eu continuar acesa. E, mal terminou a sua fala, soprou sobre ela uma aragem suave e… apagou-se.

Baixinho e triste, a terceira vela disse:

– Eu sou o AMOR! Estão-se a acabar as minhas forças para continuar acesa. As pessoas põem-me de lado… só se conseguem enxergar si mesmas… esquecem-se até daqueles que estão á sua volta… E também ela se apagou.

De repente, entrou uma criança e viu as três velas apagadas.

– Que é isto? Vocês devem ficar acesas até ao fim…

Então a quarta vela disse:

– Não tenhas medo, criança. Eu sou a vela da ESPERANÇA! Enquanto eu estiver acesa, podemos sempre acender as outras velas.

Então, o menino pegou na vela da ESPERANÇA e acendeu novamente as que estavam apagadas.

QUE A VELA DA ESPERANÇA NUNCA SE APAGUE DENTRO DE SI.”

E acabou a história. Acabou e eu não lhe quero acrescentar mais nada. Tudo o que quisesse dizer seria a mais. Na vida, há um tempo para falar e há um tempo para o silêncio. Quero deixar este espaço em branco para cada um poder escrever o que quiser. Aliás, aqui, só tem valor o que cada um quiser escrever, o que o coração de cada um sentir e disser.

Há momentos assim, em que é necessário ouvir o silêncio do coração e não dizer mais nada. Tal como na experiência da poesia. Tal como diante de uma paisagem deslumbrante (estou-me a lembrar do que vi nos Açores: há alguns locais onde a beleza das paisagens é tão profundamente majestosa que faz calar a palavra e as pessoas, ou falam espontaneamente baixinho quando as contemplam ou ficam em silêncio, para depois desabafarem apenas com uma breve exclamação: que maravilha!).

Tal como diante de um sorriso terno de uma criança. Tal como diante de um gesto de quem se parece esquecer de si para acudir aos outros. Tal como em todas as ocasiões em que se sente o adejar de um anjo amigo que nos vem ajudar. Tal como no silêncio da intimidade de um beijo apaixonado. Tal como na emoção religiosa de uma prece…

Às vezes, tenho a impressão que os tempos de hoje não sabem apreciar o silêncio, têm dificuldade de apreciar a poesia da beleza e a música silenciosa do amor, a música do coração. Tudo hoje é feito a correr, aos berros. Até a dita música moderna é aos berros e em ritmo agitado.

E, no entanto, os amantes falam muito pouco, porque só no silêncio se consegue sentir o mistério da vida e do amor. Só no silêncio a admiração é capaz de falar e a vida se revê no espelho íntimo da sua realidade e do seu desejo insaciável de felicidade.

Por isso, não vou acrescentar mais nada à história. Agora, a história é sua. Só você pode acrescentar o que quiser ou deixar ficar tudo como está. Mas, por favor, não deixe que as outras velas fiquem apagadas.

E, se gostou da história, faça como eu: envie-a a um amigo. Quem sabe se mais velas ficarão acesas para este ano de 2005…




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