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A solidariedade… exibida sem convicção

Enquanto não forem atacadas de base certas causas de pobreza estrutural, socialeconómica e cultural, continuaremos a vegetar nesta Europa, ainda que cheios de escolas, universidades e de políticos emproados como temos. Quem nos defende então? Até quando?!…

N/D
8 Jan 2005

A tragédia do sudeste asiático levantou uma onda de solidariedade mundial confrangedora.

De facto, só as catastrofes são capazes de unir os homens. Mas bastará isto para dizer que somos humanos? Não podemos alimentar-nos apenas com sentimentos de viúvas…

A América tão atacada, deu o exemplo e provou que não está falida, apesar da guerra.

O Japão mostrou o que vale. A Alemanha, menos do que anteriormente, mostrou também grande solidariedade: só numa noite, duas horas na ZDF, juntou 40 milhões de euros! Schumacher, o grande das corridas de automóveis ofereceu 10 milhões de euros, o Deutsche Bank, 10 milhões, a Mercedes, 5 milhões, O LIDL, 1 milhão, etc.

Apesar da grande crise e cerca de 5 milhões de desempregados… para os quais há pouca solidariedade e compreensão do SPD, partido socialista. O próprio Governo, de 2 milhões, inicialmente, passou para 30 milhões, a crédito, o que não é muito para a Alemanha, mas prontifica-se já a projectos de reconstrução até 500 milhões de euros… para o bordel futuro… Aliás, apenas com os novos impostos dos camionistas, pensa arrecadar, por ano, três biliões de euros!….

Verifica-se que, mau grado a crise, o dinheiro continua na mão de alguns e as diferenças serão de cada vez maiores: riqueza produz riqueza, e quem tem os meios, tecnologia e ciência tem força económica. Também nós contribuimos conforme as nossas possibilidades, esquecidos até dos ultrages da Indonésia contra Timor…

Em época de eleições, seria de perguntar aos portugueses se te-riam a mesma solidariedade numa catastrofe semelhante à do Terramoto de 1755, em Lisboa, para a reconstruçao do País. Mas o mundo não teria, porquê? Contamos muito pouco no concerto das nações. E, com os politicos que temos, só mostrámos até agora que somos pequeninos e com poucas ambições, apesar de outrora termos sido senhores de metade do mundo com a Espanha.

O que faz pois a grandeza de um povo? A economia ou o sonho? As duas vertentes. Hoje não temos nem uma nem outra. Limitamo-nos a ser um Pobre Portugal, com alguns ricos, como aranhas comparadas com elefantes, mesmo em Espanha, invejosos e a dizer mal uns dos outros, sem projectos, sem infra-estruturas e escolas válidas, sem futuro…ainda com 5 milhoes de emigrantes!…

O 25 de Abril não abriu um Portugal para todos? Será só pela pobreza da terra ou pela das mentalidades?… Ao longo dos anos, temos sabido absorver , consumir e abastardar o que devia estar ao serviço de todos, elevando o bem-estar económico e social de todos. Mas foi absorvido e comido por alguns. E, Agora, José?!…

Os partidos debatem-se como feras, e o pobre povo, nas suas courelas ou aldeias desertificadas, vê a banda a passar com os cantos de sereia aos seus ouvidos, mas, desconfiado, já não acredita em ninguém. O pobre campanário soa de cada vez mais distante, pois até lhe sonegaram os padres para contentamento de alguns… Onde estamos, mesmo sem ilusões?

Só se pode ter, distribuir e conseguir riqueza depois de a produzir e incrementar. Esta começa na cabeça, nas escolas, na disciplina, no trabalho, no estudo, no respeito pela memória de um passado e pela História. Entre nós tudo desapareceu.

Ficaram os oportunistas – picaretas falantes e ambulantes – a inveja, a incompetência, arvorada em pelintrice, os palradores e histriões… Desertaram os melhores: as empresas faliram, os bons estiolaram ou derivaram para outras bandas, os operários desmotivaram-se, e o povo sofredor continua em demonstrações pelas ruas.Tersaram-se bandeiras de esquerda e de Socialismo vesgo, lutou-se por produção de riqueza, mas ficou apenas a vaidade e a presunção.

Invejaram-se e odiaram-se os capitalistas e estes desesperaram e fugiram. Cantamos loas à Europa, mas esta compadece-se de nós… mas deixou de ser o Pai Natal das farturas… Teremos de a convencer de novo para nos ajudar, pois à sua porta batem outros pobres… por vezes, melhor qualificados. Onde estamos, e o que queremos?

Temos auto-estradas, onde circulam bombas que não produzimos. O que nos resta?!

Campos abandonados, desertificação de aldeias por mitos e ideologias anti-natalistas por falta de moral e de esperança. Todos queríamos viver melhor e temos direito. Mas só soubemos construir em cimento e betão armado, com luxos de segundas casas, mas sem o conforto essencial nas que habitamos. Tudo se fez para mostrar.. e ostentar. Afinal estamos todos pobres e mais ainda pelos que recusámos e não queremos apoiar para sobreviver, e garantir até os postos de trabalho que temos.

Só tem contado a ideologia de esquerda, que se instalou com os lirismos de Abril, e até hoje só nos destruiram , trucidaram, criando fantasias e fogos cruzados, mas não riqueza, como hipotecando-nos a uma Europa, que vai exigir a factura, que vamos pagar com língua de palmo, não sei se com novos escravos a exportar… Mas o País estará a saldo nos supermercados? Por culpa de quem?

Enquanto não forem atacadas de base certas causas de pobreza estrutural, social económica e cultural, continuaremos a vegetar nesta Europa, ainda que cheios de escolas, universidades e de políticos emproados como temos. Quem nos defende então? Até quando?!…




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