Fotografia:
Mendicidade à porta dos Congregados

Antes de mais, que fique claro: 1. os mendigos são seres humanos como os demais e pessoas que, como as outras, devem ser respeitadas e amadas;

N/D
7 Jan 2005

2. todos os seres humanos têm o direito de possuir o mínimo necessário para poderem viver com dignidade;

3. quem tem mais deve repartir com quem se encontra privado desse mínimo.

4. em princípio, cada um deve viver do produto do seu trabalho, comendo o pão com o suor do seu rosto e não com o suor do rosto dos outros.

Quem pode trabalhar tem o dever e o direito de trabalhar. Quem não pode – como acontece com as crianças, os idosos, os doentes -, deve beneficiar da ajuda da comunidade, a principiar pela comunidade familiar.

Dito isto, sinto-me no dever de afirmar que me parece uma vergonha e um escândalo o que diariamente se permite que aconteça à porta da basílica dos Congregados, nesta cidade de Braga.

Meio a brincar e meio a sério, já me têm perguntado se, para entrar naquele templo, é necessário pagar portagem.

Respondo, é evidente, que não; que aquela igreja tem diariamente as portas abertas e que todos nela podem entrar sem quaisquer obstáculos.

Digo também que na Comunidade dos Congregados existe uma Equipa Sócio-Caritativa que se dedica ao cuidado dos mais pobres. Não convidando os jornalistas para verem o que faz nem mandando para os jornais reportagens acompanhadas de fotografias, ao longo do ano e não apenas no Natal vai distribuindo peças de roupa e de calçado; vai distribuindo produtos alimentares; vai distribuindo ajudas para a aquisição de medicamentos, para o pagamento de rendas de casa, e vai dando muitos outros apoios que aqui não vou pormenorizar.

Digo ainda que, se eu tivesse autoridade para isso, identificaria os mendigos que ali se apresentam, ajuizaria das suas reais necessidades e, com humanidade e com respeito, tudo faria para pôr termo àquele espectáculo humilhante, que muito frequentemente inclui a instrumentalização de uma criança de colo. Só o não faço porque não tenho autoridade para o fazer, mas se existe alguém com autoridade para isso – e se não existe devia existir -, pelos vistos não actua.

Penso que será muito mais reconfortante cuidar de seres humanos do que andar a aplicar coimas e a rebocar veículos mal estacionados. Dar-se-á o caso, porém, de não haver autorização para o fazer? Mas, senhores detentores do poder, legisla-se e decreta-se para tanta coisa e será que se não pode legislar nem decretar para encontrar solução a um problema destes?




Notícias relacionadas


Scroll Up