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Escolher o bem

Celebrou-se em 1 de Janeiro o Dia Mundial da Paz.

N/D
6 Jan 2005

A mensagem que João Paulo II dirigiu aos responsáveis das nações e a todos os homens e mulheres de boa vontade teve por tema uma recomendação de São Paulo, inserta na Carta aos Romanos (12, 21): «Não te deixes vencer pelo mal, vence antes o mal com o bem».
A paz e a guerra são consequências do bom ou mau uso que os homens fazem da sua liberdade. Todos nos encontramos perante dois caminhos: o do bem e o do mal. Compete a cada um de nós escolher, com consciência e sentido de responsabilidade. Tendo em vista não apenas o nosso interesse pessoal mas o bem comum.

«O mal, escreve o Papa, não é uma força anónima que age no mundo devido a mecanismos deterministas e impessoais. O mal passa através da liberdade humana. (…) O mal tem sempre um rosto e um nome: o rosto e o nome de homens e mulheres que o escolhem livremente».

Lembra também João Paulo II que «para conseguir o bem da paz é necessário afirmar, com consciente lucidez, que a violência é um mal inaceitável e que nunca resolve os problemas».

Uma vez que o mal e a violência resultam de escolhas erradas que os homens fazem, a construção da paz exige que se eduquem as pessoas no sentido de, em cada circunstância concreta, saberem escolher o que realmente é melhor, e terem a coragem necessária para isso, pois o que realmente é melhor nem sempre é o que mais agrada ou o que mais convém.

Perguntem a um miúdo se, com este frio, o melhor é ir para a escola ou ficar em casa, à lareira, a ver televisão…

A construção da paz exige que se eduquem as pessoas no sentido de não responderem ao mal com o mal, à violência com a violência, de não pagarem na mesma moeda.

Em vez de se vingarem de quem faz o mal, pondo em prática o ditado segundo o qual mordedura de cão se cura com pelo do mesmo cão, que é outra forma de se referir ao comportamento do olho por olho e dente por dente, que ajudem o prevaricador a tomar consciência do erro que cometeu e de que o mal que provocou poderia ter sido perfeitamente evitado se tivesse preferido o caminho do respeito pelos outros, do domínio de si mesmo e da prática do amor.

E a lógica do amor cristão, recorda ainda João Paulo II, conduz, se levada às últimas consequências, até ao amor pelos inimigos. E volta a citar a Carta aos Romanos (12, 20): «Se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer; se tem sede, dá-lhe de beber».

Uma vez que, na educação, é fundamental o testemunho do educador, que este mostre, com a vida, a vantagem de se fazer como se recomenda. Que ele seja o primeiro a escolher sempre o bem e a pôr de lado todas as formas de violência.

Para construir a paz é necessário dedicar particular atenção ao bem comum e suas vertentes sociais e políticas. E o bem comum exige «o respeito e a promoção da pessoa e dos seus direitos fundamentais, e bem assim o respeito e a promoção dos direitos das nações numa perspectiva universal. (…)

Cada grupo deve ter em conta as necessidades e legítimas aspirações dos outros grupos e mesmo o bem comum de toda a família humana».

Porque a paz é obra da justiça, a construção da paz está relacionada com o correcto uso dos bens, segundo os princípios da equidade e da solidariedade. Não apenas dos bens da terra, que Deus criou para uso de todos os homens e de todos os povos, mas também dos novos bens que provêm do conhecimento científico e do progresso tecnológico.

A construção da paz exige ainda que se enfrente adequadamente «o desafio da pobreza, tendo em conta sobretudo as condições de miséria em que vive ainda um bilião de seres humanos».

A construção da paz – na família, no bairro, nas comunidades de trabalho e até na Igreja – é um dever a que nenhum homem e nenhuma mulher de boa vontade se podem esquivar.

Isso exige que cada um assuma o compromisso de lutar para vencer o mal com o bem.

«É uma batalha, salienta João Paulo II na sua mensagem, que se combate validamente só com as armas do amor. Quando o bem vence o mal reina o amor, e onde reina o amor reina a paz».




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