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A vacuidade dos tempos

Fala-se no contexto contemporâneo de uma acentuada crise de valores morais, sociais, éticos e religiosos.

N/D
6 Jan 2005

As diversas áreas do pensamento intelectual reconhecem-no, o mundo comum ou laico também o sabe. As instituições, os governos, as sociedades têm consciência de que tudo está a descambar num abismo sem fim.
Então, por que é que isto se sucede? Certamente que a resposta não é uníssona, pois os problemas e a valorização da cultura que andam aí são díspares e muitas vezes enevoados.

Ninguém percebe ou não queremos entender o que é a verdade, ninguém quer reflectir a liberdade, passamos ao lado da exclusão e pobreza social, desdenhamos a toxicodependência, buscamos justificações torpes para o fraco desenvolvimento humano e social, idealizamos demais uma política isenta e respeitadora das tendências individuais, mas não a praticamos.

Será esta a verdade: tudo isto pesa em demasia, incomoda, perturba e, como tal, é penoso pensar em tudo isso? Mais vale passar e andar nas fronteiras do sonho, da indiferença e da vacuidade? Estas advertências criam um grave problema ao homem: põem-no em transe completa quando acordado do vazio interior.

Chegará a altura em que acordaremos e teremos imperiosamente de reflectir a realidade. A procura do essencial e do verdadeiro é uma tarefa difícil e exigente, mas terá que ser feita o mais rapidamente possível – é urgente.

O político, as instituições, o intelectual, o religioso, o crente, o não crente, o estadista, o polícia, o povo simples… e tudo quanto é pessoa, terá que convergir, pensar, interactuar e perceber o mundo numa atitude relacional e dialogal. Isto só será possível deitando fora a vaidade, a petulância, o chiquismo, o verniz que mascara a identidade.

Mais que nunca é-nos exigido uma posição concreta, não definitiva, mas que contribua para erguer as rédeas do mundo que vão andando soltas e ao gosto do vento. Não podemos deambular, nem ser demasiadamente discretos, incertos. Temos que acabar com as poeiras do talvez e da leveza constante do pensamento.

Não podemos deixar que o mundo, onde eu habito e construo a minha identidade, descambe numa autodestruição progressiva, como quem vai petiscando a vida, mas não a saboreia profundamente.

Não tenhamos ilusões. Viver encostados indefinidamente a ideias magníficas não é o mesmo que assumi-las e defendê-las na tolerância natural de uma relação extra-pessoal.




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