Fotografia:
Prevenir ao máximo os efeitos nefastos do “moremoto”

Sei que não está dicionarizada a palavra «moremoto», mas poderia, por analogia, utilizar-se esta nova palavra para designar as convulsões de autêntico terramoto no campo dos costumes que implica a recente legislação do governo de Rodrigues Zapatero, em Espanha, autorizando os mal denominados «matrimónios homossexuais», bem como o direito(?) de adoptar crianças.

N/D
5 Jan 2005

Todos discutimos, hoje, a incúria das autoridades que, tendo sido avisadas das consequências da fortíssima convulsão tectónica no sudeste asiático, não passaram essa informação às populações que previsivelmente seriam atingidas.
Algumas ainda podiam contar com horas para se posicionarem melhor e evitarem o desastre cujas devastadoras consequências vamos conhecendo cada dia melhor. Como ninguém foi alertado, muitas milhares não escaparam à morte.

Sabemos, todavia, que bastou que uma miúda de 10 anos pusesse em prática o que tinha aprendido nas aulas de Geografia, para que mais de 100 pessoas se tivessem salvo. E este exemplo amplifica a responsabilidade de quem não soube avisar, pois, apesar de o momento da colisão das placas tectónicas ser ainda bastante imprevisível, podiam ser alertadas as pessoas para os previsíveis efeitos, uma vez ela ocorrida.

Perante a magnitude do desastre, as pessoas, passados os primeiros momentos, já viram a página, apesar da insistência doentia dos telejornais.

A insensibilidade reinante é um dos mais assustadores sintomas de que urge tomar a sério o lema do Santo Padre para o dia mundial da paz de 2005: «Não te deixes vencer pelo mal. Vence antes o mal fazendo o bem»… A paz não é um fruto que se possa colher de um momento para o outro. É uma larga e dura batalha que se vai ganhando na medida em que o bem derrota o mal. Estamos imersos numa permanente e intensa batalha cultural, mais do que política, em que o que está em jogo é a liberdade do homem e o seu destino.

O mal, o ódio, a violência só são capazes de gerar mal, ódio e violência. A cultura dominante, veiculada predominantemente pelos meios de comunicação social, dá mais ênfase ao mal, ao ódio e à violência do que às manifestações do bem. Por isso não devemos ficar espantados com o facto de os jovens se mostrarem desalentados e desesperançados quanto ao futuro, ao seu futuro, sobretudo. É uma desconfiança que nasce da crença, muito estendida entre os adolescentes, de que o bem é impossível.

Talvez porque confundem a queda das utopias da História e na História, com a possibilidade de aceitar uma realidade anterior que nos obriga a não nos conformarmos com o estado de coisas e a procurar sempre uma saída digna para o mais perfeito, para o melhor, para uma excelência que, infelizmente, já não opera como princípio de educação.

Os 40 mil jovens que recentemente se reuniram em Lisboa convocados por Taizé são uma feliz excepção. Eles seguem uma «gramática» ou conjunto de regras que realmente dá perenidade aos valores em que acreditam e que procuram viver cada dia. É a gramática do verdadeiro Amor, cujo modelo perfeito é Cristo: Ele respondeu ao supremo mal com o supremo Bem, entregando a própria vida.

O mal não é uma força anónima, não é um azar fatal em que nos movemos inevitavelmente. O destino do homem não é o mal; nem o ar que respira é o da corrupção permanente das suas aspirações e desejos. O homem está feito, e foi criado por amor, por um bem e para um bem maior que se constrói no apreço da própria vida e da vida alheia.

O mal, como o recordou João Paulo II, passa inevitavelmente pela liberdade e pelo uso que dela se faz. A liberdade não é contrária à aceitação de uma dependência básica, dependência que realmente liberta, reconhecendo as fontes da sua existência. A recusa da condição de filhos de Deus converte-se inevitavelmente em recusa do mundo.

A liberdade tem de ser sempre agradecimento. Conceber a liberdade como autonomia absoluta do homem face àquilo que o torna homem, é uma vã ilusão destruidora da liberdade necessária para enfrentar e afrontar o futuro.

O mal é, parafraseando o Papa, uma trágica fuga às exigências do amor. É este o paradoxo da liberdade. Não se pode entender a liberdade sem o amor prévio de quem, livremente, nos amou. O bem é possível e real, quando uma pessoa ama, porque se sente amada em liberdade.

Mais ano menos ano, também entre nós será legalizada a união entre homossexuais.

Se já chegou à outrora conservadora Espanha, os nossos “vanguardistas”, sobretudo de esquerda, não se vão calar sem que tal “conquista(?)” seja também consagrada legalmente entre nós.

Como poderemos minorar os efeitos negativos de tal “moremoto” ou terramoto de costumes? Preparando cada vez mais e melhor os verdadeiros matrimónios, acompanhando-os e apoiando-os nas suas dificuldades, e lutando por leis que não só não penalizem económica e fiscalmente os matrimónios verdadeiros, mas os beneficiem e ajudem, pois neles está o esteio mais seguro de uma sociedade realmente civilizada e construtora de autêntica fraternidade e vida cidadã em paz.

Ou seja, vociferando menos e realizando objectivamente muito mais daquilo que pode e deve ser levado à prática. Participando muito mais na vida pública e não se deixando levar pelo egoísmo e a nefanda apostasia da indiferença.

É proibido calar e permanecer indiferente e imóvel!

Muita coragem e determinação para enfrentar os desafios do novo ano!




Notícias relacionadas


Scroll Up