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812. Senhor Presidente da República:

1 A vida política nacional, como diria o povo, descambou. Mergulhou num pântano, fétido e profundo. E com ela toda a actividade sócio-económica e cultural.

N/D
5 Jan 2005

E, de tempos a tempos, uma outra voz mais expedita, qual rã de superfície, se levanta, clamando por um rumo, uma orientação. E não passamos disto!
O senhor Presidente, pregando contra o miserabilismo, a lamúria, o pessimismo, a tristeza que nos domina, é uma delas. Só já ninguém embarca em sermões ou puxões de orelhas! Daqueles, dizem como frei Tomás e destes, que já nem lhes dói, tantos que têm levado!

Porém, uma coisa é certa e evidente: os mais competentes, sérios e capazes fogem, afastam-se do pântano, a sete pés! Não querem misturar-se com a mixurdice política e muito menos assumir os erros e trapalhadas em que a governação tem sido pródiga!

E mais: continuamos entregues a um bando de aventureiros, oportunistas e carreiristas que, a coberto dos partidos políticos, vão dando cabo, em proveito próprio, de grupos ou oligarquias, do pouco que ainda resta da coutada!

Por isso, o desabafo dos cidadãos mais responsáveis e atentos é: este país assim não tem conserto, não tem futuro! As nossas crianças, jovens e adultos não sabem o que os espera!

2. Como vamos, pois, senhor Presidente, meter travão nisto? Como vamos transmitir, de novo, confiança ao povo e recuperar o tempo e auto-estima perdidos?

Não é, seguramente, com esta saga, velha e gasta, do demite governo, nomeia governo, eleições hoje, eleições amanhã! Estamos fartos, cansados disto! O aumento crescente da abstenção às urnas prova-o à sociedade!

E também não é para isto que temos um regime semi-presidencialista e o povo escolhe um presidente de todos os portugueses e que tem de ter, acima de tudo e todos, a responsabilidade de dar um punho na mesa e chamar os responsáveis a capítulo.

E, sobretudo, tomar decisões! As mais duras e desagradáveis, se necessário. Nem que para tal recorra a um governo de salvação nacional! A democracia pode esperar, mas tem limites a espera!

Pois bem, antes que seja tarde e as coisas ainda mais se compliquem (o que não é difícil), só vejo uma solução: o estabelecimento de um pacto de estabilidade e crescimento ou seja um acto de salvação nacional! E é ao primeiro responsável da Nação que compete dar o primeiro passo, lançar a primeira pedra!

Para isso, senhor Presidente, reúna à mesma mesa partidos políticos, organizações sindicais e patronais, empresários, associações cívicas, economistas, juristas, intelectuais, notáveis… e dinamize e icentive e provoque o grupo. E, se necessário, faça valer os seus presidenciais direitos e poderes para que daí saia um pacto de regime sério, responsável e patriótico!

A médio ou longo prazo! O que for, obviamente, o mais urgente para a salvação nacional! E sem tibiezas ou falsos voluntarismos!

E lembre-se, senhor Presidente, que, embora a cerca de um ano de abandonar Belém, o povo não lhe perdoará o ter deixado o país nesta crise profunda de princípios, valores, critérios e atitudes! Nesta apagada e vil tristeza!

Porque digo e repito: A democracia pode esperar, mas tem limites a espera!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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