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Pela tragédia percebemos o que Deus nos quer dizer?

As imagens do maremoto (‘tsunami’) de 26 de Dezembro passado foram preenchendo as notícias no pós-Natal deste ano: sinais horríveis de destruição, expectativas pelos sobreviventes, inquietações pelas forças da natureza, suspeitas sobre as possibilidades lusas em caso idêntico, respostas ao porquê da fúria das ondas…

N/D
3 Jan 2005

Sete países do sudeste asiático atingidos, cerca de cem mil mortos, mais de cinco milhões de desalojados, estâncias de veraneios aniquiladas, prejuízos de valor incalculável, populações marcadas para dezenas de anos…
Para programar as férias – no caso das duas centenas de portugueses – cada um quis destoar da normalidade, mas para exigir a protecção do Estado surgem logo as reivindicações!

Deste episódio do maremoto ouvimos explicações de algum cientifismo, mas – mesmo dos responsáveis da Igreja católica – poucos foram interpretando os sinais de Deus através do que a natureza nos comunica hoje. Haverá receio de meter Deus nestas coisas que não conseguimos compreender?

Até onde irá a nossa descrença titubeante, amorfa e sem rosto? Teremos fé capaz de incomodar as diversões mundanas?

Entretanto, numa breve visita a Barcelos (nessa mesma época) constatei – impressão de forasteiro! – uma imagem ‘chocante’ numa das ruas centrais da cidade: diversas imagens e informações (falecimentos e agradecimentos) de defuntos//as estampadas nos lugares mais díspares – postos de transformação de electricidade, tapumes de obras, vitrines desactivadas… numa linguagem de comunicação (cremos) aceitada, tolerada ou permitida… num ritual sócio-religioso local.

Em razão de termos estado (presidindo) em centenas de funerais nos últimos anos – à medida de cento e vinte a cento e cinquenta//ano – há reflexões inacabadas que nos foram surgindo sobre essa temática da presença cristã/católica no momento extremo da vida humana:

* Que serviço religioso podemos ou devemos prestar a quem não frequenta a Igreja em vida? Haverá direito de obrigar a entrar depois de morto num local quem se recusou a lá ir conscientemente?

* Como podemos ou devemos aproveitar esses momentos para evangelizar, isto é, para falar da vida e do seu significado, dos valores e da nossa relação a Cristo, sem se deixar banalizar ou influenciar pelos adereços funerários?

* Será que, em muitos casos, não se presta mais atenção ao papel de embrulho – caixão, flores, rezas ou compunção (social) dos enlutados – do que àquele que é chorado, sufragado ou enterrado?

Diz-se e com razão que, por ocasião da morte, tudo se põe a manifesto daquilo que fomos durante a vida. Ao ver a recente cultura do pós-morte como que sentimos alguma perplexidade sobre um certo desrespeito pela memória dos antepassados, enquanto outros como que transladam para o cemitério a vaidade da vida corrente.

Até onde irá a falta de ousadia dos cristãos em serem testemunhas da vida eterna pelo modo como vivem nesta vida terrena? Como poderemos – pastores e fiéis – destoar neste pântano do ‘tanto vale’ e do ‘parecer bem’ em vivemos mergulhados?

Saberemos aproveitar a ocasião dos funerais para despertar a consciência da fé cristã?
Há momentos únicos… perdê-los será fatal para crentes e não-crentes!




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