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Como vai ser o ano de 2005?

Quando um bebé nasce todos os familiares exultam de alegria e fazem votos de boa saúde.

N/D
3 Jan 2005

Quando um ano novo nasce todas as boas vontades se congregam nos mesmos anseios de felicidade. Este ano de 2005 começa a dar os primeiros sinais de vida, mas ao contrário do bebé no leito, poucos serão os portugueses que esperam dele uma vida risonha e saudável.
Vamos ter um princípio de ano assoberbado com a escolha de um novo governo e, pelo que se começa a ver no prólogo, a luta verbal vai ser dura e sem descanso.

Durante este ano que agora gatinha vamos ter o julgamento dos casos da Casa Pia e, pelo que se pode antever pelas declarações do principal acusado, podemos vir a ter surpresas umas atrás das outras. O homem pode ser um poço de incoerências, mas não as inventa todas.

A justiça exige a verdade nem que ela tenha de vergastar a cara dos “santos” ao mesmo tempo que pune os pecadores.

A saúde deve continuar a pautar-se por uma luta em várias frentes: a erradicação das listas de espera não é um problema de governo, é uma questão nacional da maior importância; a luta contra a SIDA, com todo aquele quadro de horrores que estampam a miséria e a degradação humanas nos rostos esquálidos de tantos marginais, é igualmente uma luta de todos e não de governos.

A balança comercial é outra das lutas em que o governo saído das urnas de 20 de Fevereiro vai ter de enfrentar; para isso há que apelar a todos os portugueses para ajudarem na medida das suas possibilidades.

Prefiram produtos portugueses – ganha a indústria e o comércio nacionais e sobe o PIB. Não podemos fazer o proteccionismo económico de D. João II ou do Marquês de Pombal porque os contextos mundiais e especialmente europeus o não permitem, mas podemos ter uma predilecção natural pelos artefactos produzidos em Portugal.

E como nestas coisas é o mercado quem dita as leis da importação poderemos, deste jeito, ajudar a equilibrar a balança comercial. A economia e as finanças vão ter o maior protagonismo durante este ano de 2005.

A educação enferma de mal da água inquinada à nascença. Estamos a produzir professores para o desemprego. Parem para escutar os milhares de licenciados que não têm colocação. Parem por uns tempos para ver se se vão empregando aqueles que nem nas caixas dos supermercados já arranjam emprego.

Parem para reflectir sobre esta desgraça de estarmos a formar professores para não desempregar doutores. A educação é um serviço público mas não pode transformar-se premeditadamente num “cerro de enforcados”.

As políticas educativas, seguidas até hoje – mormente as de formação de professores -, são políticas de beco. Em muito se parecem com o suicídio das baleias onde as de trás empurram as da frente para as areias da praia sem se darem fé da morte que a todas espera. Parem de enganar tanto jovem, por favor.

O emprego só tem uma política capaz de o debelar: o investimento. Até hoje ainda não ouvimos a ninguém dizer qual é a melhor forma de incentivar o investimento em Portugal. Nem economistas, nem governos, nem os sindicatos, nom empresários portugueses conseguem demonstrar por a mais b qual a fórmula milagrosa para este investimento que é, como todos sentimos, a prioridade das prioridades para acabar como o maldito desemprego.

Nós que não somos nada disto e que disto tocamos de ouvido, diz-me o bichinho da especulação que se apostássemos em produtos novos, as indústrias multiplicar-se-iam e o emprego surgiria. Deixemo-nos de copiar. Enquanto produzirmos o que os outros estão fartos de produzir não vamos lá.

O ano de 2005 vai ainda ser o ano do medo dos reformados. Estes receiam que se acabe o dinheiro. Entenderam que aquilo que Bagão Félix fez ao fundo de pensões da Caixa Geral de Depósitos é o primeiro sinal de banca rota do seu próprio fundo de pensões.

Há que sossegá-los porque, como as crianças, têm medo do que lhe dizem. E pode muito bem não ser a simples história do lobo mau.




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